quinta-feira, 28 de julho de 2011

Sonhar Acordado

Aquele acto semiconsciente de sonhar acordado ou de construir cenários antes de adormecer para entreter a mente pode revelar-se mais fastigante que o sonho que tem lugar a meio do sono, com a independência somada ao absurdo e perplexidade deixados no seu rasto, gradualmente apagado. Sonhar acordado implica intenção de complementar os factos palpáveis da nossa vida com os caprichos concebidos sem oposições ou riscos. Os sinais que os outros agentes nos dirigem funcionam como incentivos à ampliação de intenções a nossa favor e nessa projecção óptima fazemos crescer a confusão de que somos autores e reféns.
A fronteira entre a espectativa e a realidade é mais ou menos ténue, conforme os elementos (que manipulamos mentalmente para nos satisfazer o mais sincero querer), estejam mais próximos ou mais distantes de nós. Se incluímos no sonho algo que sempre nos foi alheio e sempre será, sonhamos por divertimento e os danos não são significativos porque nunca acreditámos seriamente na sua realização. Por outro lado, se incluímos elementos que são uma parte fundamental da nossa vida, tal qual ela é, e os cruzamos mentalmente a nosso bel-prazer, com iniciativa e vontade, interiorizando repetidamente, fazem parte da rotina e a concretização parece estar a um pequeno passo… o remorso e a desilusão serão arrasadores.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

The Smiths - This Night Has Opened My Eyes



You kicked and cried like a bullied child
A grown man of twenty-five
Oh, he said he'd cure your ills
But he didn't and he never will
Oh, save your life
Because you've only got one

terça-feira, 26 de julho de 2011

Acaso

As emoções tornam tão irrepetível tudo o que vivemos que, depois de vividos, todos os acontecimentos... «já eram». Isto é, por mais que os tentemos descrever, deixam de ser, exactamente, como os vivemos e, por isso, tornam-se... mentira. - Eduardo Sá

É um pouco vago e insatisfatório ouvirmos alguém responder-nos que o tempo traz o que tanto ansiamos. Dizem que "é preciso ter paciência porque o que tem de ser, será". É mais fácil entender a vida como um percurso que se acumula de êxitos conforme a habilidade das nossas escolhas e então somos donos do nosso destino. Somos de facto… mas os efeitos das nossas escolhas é que são incontroláveis e nunca saberemos o que desperdiçámos se tivéssemos optado por outras alternativas.


Só ganhamos respeito pela possibilidade de algo na vida não ser por acaso quando o mais improvável acaso nos preenche a vida com insondáveis dádivas. Descrever aquilo que vivemos implica um esforço que se mostra inútil tanto para nós, que tentamos remontar ao passado para compreender a real dimensão do que a nós se proporcionou, como para os outros que, provavelmente, não prestarão a atenção que o facto merece. Ter pensado como era aborrecido, não vinha nada a calhar, não era o que planeara, iria perder algum tempo que me era imprescindível, exigiria depois um esforço compensatório por tomar um caminho que não estava previsto, era uma irregularidade, um corpo estranho ali. Por cortesia ou obrigação, um pouco de não intencional cinismo, adaptação e uma simpatia perto da indiferença. Num esforço por atender a um imprevisto que não atrai à primeira impressão, ceder, acabou por ser a decisão. Muito fácil é virar as costas quando corpo e mente têm preguiça de fazer algo que não tinha sido programado e interiorizado mentalmente. Recordar a pouca vontade que esteve envolvida na decisão do passado que quase nos separou de uma mudança que nos deu tanto até ao presente deixa-nos numa meditação que não oferece resposta racional. Valorizam-se os mais insignificantes momentos quando, ao fim de algum tempo, notamos que estamos confortavelmente cercados com tudo o que esse momento no trouxe.

Há coisas que não exigem técnica e experiência, não há como calcular, prever, não se atinge por perícia; essas coisas acontecem no ambiente mais irreflectido e improvável. Não há forma de aprender a estar no sítio certo, à hora certa, simplesmente acertamos. E ao pensar agora na penúria que a vida seria, se despojada de tudo o que passámos a incluir desde aquele momento até então… fica um pesado silêncio de respeito perante o incontrovável que dá a reviravolta e apaga a memória do que estava antes, de tão insignicante e vazio que era. Pensar que poderíamos nunca ter correspondido à mudança de trajecto e aí, tudo… quase tudo, seria completamente diferente. É inconcebível e penoso demais para sequer pensar nisso. Ainda bem que estas coisas acontecem.

Desresponsabilizados e Indomáveis

A desresponsabilização individual tem as suas aparições diárias em toda a parte. Pensemos em alguns exemplos vulgares. Se a máquina do café na empresa avariou enquanto eu a usava, melhor fugir e não assumir a culpa. Se já tinha prestado atenção naquela fuga de água que andava a apodrecer os alicerces do prédio mas tolerei porque o senhorio me propôs um desconto para contar com a minha confiança e discrição. Se um projecto foi chumbado à conta da minha completa incompetência e desleixo mas, curiosamente, o avaliador não goza de grande empatia junto da maior parte das pessoas, posso maximizar a inimizade em torno dele para desfocalizar dos meus insucessos. Se tenho um eucaliptal que pouco, ou nada, significa para mim e do qual não extraio quaisquer benefícios mas, por acaso, foi consumido por um incêndio que deixei alastrar, não procurei travar para que os danos causados correspondessem a alguma futura compensação.


Bem…em todos estes casos compreende-se a ânsia pela fuga à responsabilidade, a tentação de não ser inteiramente honesto, o vislumbre de ganhos à custa de terceiros, a atribuição de culpas a um inimigo imaginário, despreocupação em relação ao esforço que os outros terão de mobilizar para pagar pelos nossos erros, a justificação à custa de agentes alheios à ocorrência, omissão de fracassos pessoais e a beatificação da falta de escrúpulos.

Surge então o contentamento em virtude daquele desenrasque forjado e o indivíduo em causa, o designado estúpido, congratula-se por conseguir fintar os outros e falsear a realidade. Esta espécie empenha-se também em assumir uma postura convicente no contexto da ocorrência e chega a convencer-se a ele próprio. Pode ser bastante doloroso observar esta mal disfarçada estupidez tão à descarada mas o cenário pode ficar ainda pior. Se estas atitudes são insuportáveis quando observadas num só indivídio, imaginemos agora isto multiplicado por muitos…centenas, milhares. Todo um agregado de gente puramente estúpida, fielmente desinteressada em compreender a orgânica dos problemas, especialistas da abstracção , num escape esturpecedor, por vezes patriota, extasiante das emoções que atropela a razão, a responsabilidade e qualquer código de conduta própria.

Este grupo de estúpidos vai actuar ao ritmo do plano intencional de desresponsabilização unida e coordenada pela propaganda que lhe apela à sensação de excepcionalidade e intocabilidade, ao patriotismo inabalável em posição de eterna vítima das forças externas. O ideal seria a agressividade desta imagem ficar reservada ao imaginário mas conviver com uma maioria normalizada segundo este padrão é um pesadelo sem aparente retrocesso à vista. Quanto mais estúpido é o indivíduo, mas entusista se revela por alguma massa falaciosa que lhe remata as lacunas mentais. Como se não bastasse a dor de ver o ser humano ser estúpido, que é uma coisa que desperta algum misto de sentimento nos poucos que não alinham na estupidez, a grande desvantagem disto tudo é ter de pagar a conta no fim da festa.

domingo, 8 de maio de 2011

" É todo de esquerda comunista, todo sindicalista e tal...
mas depois a falar ainda hoje com ele de uma conhecida quinta estar à venda até se regala de falar dos títulos de Condes Duques e Duquesas e dos outros (povo) que antes é que sabiam o que era trabalhar nas quintas desses senhores de sol a sol.
Pertence ao grupo dos que tem orgulho em pertencer a um país de cultura atrasada, mesquinha, conformista, resignada e do "deixa andar". Aqui ainda se pensava em encher a salgadeira enquanto noutros países se ia escolher o frigorífico. Outros já há muito pensam em bens de primeira necessidade que para alguns de cá ainda hoje (infelizmente) são um luxo.
Mas claro... quem acabou com a salgadeiras e a tradicional e bonita tradição do porco e a respectiva economia a essa tradição associada para a trocar por uma marca chamada "LG" de máquinas e tecnologia que levou as pessoas a comprarem frigoríficos é que esta mal."


Marco Silva

sábado, 30 de abril de 2011

Regina Spektor - Genius Next Door



If you just hold in your breath til you come back up in full
Hold in your breath til you thought it through, you foolish child…

quarta-feira, 27 de abril de 2011

D: *vou escrever a ideia de forma mais simples
*da praça :P

I: *mete carapau nisso!

M: *eheh, pensa como se fosses o Portas a perguntar isso às peixeiras xD aaha não resisti

D: *Se matar é assim tão cruel, porque mata também o Estado e de forma tão planeada e com base nas suas próprias leis?
*como era a frase das legislativas?
*vítimas, criminosos...porque é que os criminosos ...

I: são eleitos?

domingo, 24 de abril de 2011

os teus julgamentos sempre foram loucos

Não enganas quem te anda a fitar desde que começaste essa tua prosa de pretensão profética. Esta a mais baixa das criaturas e quanto mais circundas o poder com ânsia de reconhecimento mais se patenteia na tua expressão, a hipocrisia que soava suportável noutro tempo. Num tempo em que o tempo não corria atrás de ti, exigindo-te a resposta e a posição pela qual extrangulas agora a tua própria alma. A tua alma que identificas e elogias, com a qual enches as frases, essa alma está a ter um preço, um baixo preço. Nunca pensaste que pisar os que te faziam frente fosse o caminho para te vergares em vez de subires, fazendo deles um degrau. A vergonha não te chega a lavar a face, desprezível face que aparenta calma no julgamento à inteligência alheia. A confusão pela tua estreiteza moral, pela tua moralidade estreita mas afiada e arrogante. É repugnante lembrar, reparar, entender-te, interpretar o teu calculismo tão malévolo, a tua desonestidade na presença de em círculos de escárnio. Humilhaste os teus para exibires uma humanidade que nunca hás-de almejar. Cuspiste no Ser que te vanglorias de conhecer e respeitar. Hoje és a imagem do desespero de ideias, da ânsia de reconhecimento, da reviravolta abrupta. Emites frases que te ficam tão mal como artificiais, imitando mal e porcamente os que zombaste. Nunca irás reconhecer a triste figura que fizeste pois custa tanto dar a razão e admitir a fraqueza dos nossos fanatismos isentos de base sustentável mas tão efusivamente apunhalados nos outros. O que dizes agora não autêntico porque nunca foste também no passado, jamais tiveste autenticidade, só forjada e ousando acusar os outros da miséria de carácter em que em ti próprio conhecias. Ainda assim o perdão e indiferença dos que te entendem e minimizam é o que mais te pode envergonhar e isso basta-me para não me enojar mais.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Deixei de dizer que tinha problemas de concentração quando notei o quão concentrada estava naquilo que satisfazia honestamente a minha atenção. Horas e horas concentrada para meu único benefício. Desconcentrar-me só é mau quando deixo de pensar repetidamente com o máximo foco nas minhas inclinações e passo a afastar-me inamovível e contrariada, rumo ao enfado que me impingem.

Quem ousar acusar-me de ser uma pessoa desconcentrada, não me conhece...ficaria assustado se conhecesse.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

"Every election is a sort of advance auction sale of stolen goods."

H. L. Mencken


P.S: I confess, for my part, that it greatly delights me. I enjoy democracy immensely. It is incomparably idiotic, and hence incomparably amusing. Does it exalt dunderheads, cowards, trimmers, frauds, cads? Then the pain of seeing them go up is balanced and obliterated by the joy of seeing them come down. Is it inordinately wasteful, extravagant, dishonest? Then so is every other form of government: all alike are enemies to laborious and virtuous men.

H. L. Mencken

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Somehow, Someday - Ryan Adams




I wish we were still making plans
But now, there's nothing to fix

But there ain't no way I'll ever stop from lovin' you now
There ain't no way I'll ever stop from lovin' you now
No, there ain't no way and I'm gonna try and show you somehow
Somehow, and I'm gonna someday

Someday...Someday
Ah honey, someday

terça-feira, 19 de abril de 2011

reabilitação


Of all tyrannies a tyranny exercised for the good of its victims may be the most oppressive. It may be better to live under robber barons than under omnipotent moral busybodies. The robber baron's cruelty may sometimes sleep, his cupidity may at some point be satiated; but those who torment us for our own good will torment us without end for they do so with the approval of their own conscience. They may be more likely to go to Heaven yet at the same time likelier to make a Hell of earth.


C. S. Lewis in The Ethics of Liberty, Murray Rothbard

sábado, 16 de abril de 2011

pondo a descoberto todas as finitudes

O homem formado pela angústia, é formado pela possibilidade e só aquele que a possibilidade forma está formado na sua infinitude. Por isso, a possibilidade é a mais árdua das categorias. É verdade que se ouve dizer o contrário, que o possível é fácil e muito árdua a realidade. Mas a quem se ouve proferir estes discursos? A alguns pobres diabos que nunca souberam o que é o possível, e que, como a realidade lhes mostra que nada valem nem nunca nada valerão, erguem ilusoriamente um possível, a acreditar neles belo e delicioso, quando afinal como base deste possível não existe senão uma leviandade de juventude de que melhor seria ter vergonha. Por isso o possível de que se elogia a facilidade é entendido como uma possibilidade de bem-estar, de fortuna, etc.; o que de modo algum corresponde ao possível , mas a uma invenção enganadora que a perversidade humana vai enfeitando para ter, não obstante, motivos de queixa quanto à vida, quanto à providência, etc., e para se encher de importância.


Não; na possibilidade tudo é talqualmente possível e o homem verdadeiramente educado por ela apreendeu o seu horror pelo menos tão bem como os apelos sorridentes. Quando saímos desta escola e sabemos, melhor do que uma criança as primeiras letras, que absolutamente nada se pode exigir da vida, que o pavor, a perdição, a destruição, moram paredes meias connosco, e quando aprendemos a fundo que as angústias por nós receadas desabaram , uma a uma, sobre as nossas cabeças no instante seguinte ao do receio, forçoso nos é dar à vida outra explicação; forçoso nos é louvar a realidade e, mesmo quando pese duramente sobre nós, forçoso nos é recordar que seria o possível. Esta, a única maneira de se ser formado pelo possível, pois a finitude e as coisas do finito em que todo o indivíduo tem sempre lugar marcado, mesquinhas e quotidianas ou fazendo época na história, nunca formam senão para o finito e é sempre possível lisonjeá-las, regatear, fugir às dificuldades, evitar que nos ensinem algo de absoluto. E se tivermos de suportar sem apelo as suas lições, ainda aqui necessitamos em nós do possível e de formar com as nossas próprias mãos aquilo de que devemos tirar ensinamento, mesmo se o instante seguinte à lição negar a nossa obra e nos privar de todo o poder.


O CONCEITO DE ANGÚSTIA, Soren Kierkegaard, Editorial Presença. P.213.

domingo, 3 de abril de 2011

Tom: Look, we don't have to put a label on it. That's fine. I get it. But, you know, I just... I need some consistency.

Summer: I know.

Tom: I need to know that you're not gonna wake up in the morning and feel differently.

Summer: And I can't give you that. Nobody can.



500 Days of Summer

sexta-feira, 25 de março de 2011

Previsibilidade


Antes a regularidade sustentada por fundamentalismo intelectual de propagação cirúrgica em tímida amplitude que aquela pluralidade indistinta e confusa emitida num mesmo corpo repleto de contraditórios, de adaptabilidade cínica e bem-amada, edificada em sacrifício da fidelidade e da coerência mental.

Control Through Fear



Considerem-se três possíveis casos:

1 - Preconizar-se como insubstituível, eternizando a arregimentada sujeição, mesmo quando existe espaço para actuações desafogadas, heterogéneas e oportunidade aberta para múltiplos rumos e escolhas.

2 - Encenar persistência e firmeza quando a real exaustão demanda por um intervalo do primeiro para sua folga e para desgaste de um adversário, fazendo do alternativo e distinto, mero suplente descartável a quem remete a fase da infãmia e da impopularidade, e velando assim pela consistência da sua própria imagem.

3 – Em casos de persistente e incorporada inaptidão, contínua insistência na desonestidade presunçosa e perseguição inconsequente de erros tragicamente constantes, semelhantes e acolhidos colectivamente sem discernimento, pode afigurar-se uma convergência nebulosa e homogeneamente depauperada, exígua em alternativas que encenando discórdia pontual conforta-se ou justifica-se ou embaraça-se na irreversível fatalidade da via única que mina por longas temporadas certo espaço que será exposto ao desbaste dos frutos da negligência prolongada.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Life is a Pigsty

Grateful Slave


by Paine's Torch

I am a grateful slave.
My master is a good man.
He gives me food, shelter, work and other things.
All he requires in return is that I obey him.
I am told he has the power to control my life.
I look up to him,and wish that I were so powerful.

My master must understand the world better than I,

because he was chosen by many others
for his respected position.
I sometimes complain,
but fear I cannot live without his help.
He is a good man.

My master protects my money from theft,
before and after he takes half of it.
Before taking his half,
he says only he can protect my money.

After taking it, he says it is still mine.
When he spends my money,
he says I own the things he has bought.
I don't understand this, but I believe him.
He is a good man.

I need my master for protection,
because others would hurt me.
Or they would take my money
and use it for themselves.
My master is better than them:
When he takes my money, I still own it.
The things he buys are mine.
I cannot sell them,
or decide how they are used,
but they are mine.
My master tells me so,
and I believe him.
He is a good man.

My master provides free education for my children.
He teaches them to respect and obey him
and all future masters they will have.
He says they are being taught well;
learning things they will need to know in the future.
I believe him.
He is a good man.

My master cares about other masters,
who don't have good slaves.
He makes me contribute to their support.
I don't understand why slaves must work
for more than one master,b
ut my master says it is necessary.
I believe him.
He is a good man.

Other slaves ask my master for some of my money.
Since he is good to them as he is to me, he agrees.
This means he must take more of my money;
but he says this is good for me.
I ask my master why it would not be better
to let each of us keep our own money.
He says it is because he knows
what is best for each of us.
We believe him.
He is a good man.

My master tells me:
Evil masters in other places are not as good as he;
they threaten our comfortable lifestyle and peace.
So, he sends my children
to fight the slaves of evil masters.
I mourn their deaths,
but my master says it is necessary.
He gives me medals for their sacrifice,
and I believe him.
He is a good man.

Good masters sometimes have to kill evil masters,
and their slaves.
This is necessary to preserve our way of life;
to show others that our version of slavery is best.
I asked my master:
"Why do the evil masters' slaves have to be killed;
along with their evil master?
"He said: "Because they carry out his evil deeds."
"Besides, they could never learn our system;
they have been indoctrinated to believe
that only their master is good."
My master knows what is best.
He protects me and my children.
He is a good man.

My master lets me vote for a new master,
every few years.
I cannot vote to have no master,
but he generously lets me choose
between two candidates he has selected.
I eagerly wait until election day,
since voting allows me to forget that I am a slave.
Until then, my current master tells me what to do.
I accept this.
It has always been so,
and I would not change tradition.
My master is a good man.

At the last election,
about half the slaves were allowed to vote.
The other half either broke rules set by the master,
or were not thought by him to be fit.
Those who break the rules
should know better than to disobey!
Those not considered fit should gratefully acceptthe
master chosen for them by others.
It is right, because we have always done it this way.
My master is a good man.

There were two candidates.
One received a majority of the vote -
about one-fourth of the slave population.
I asked why the new master
can rule over all the slaves,
if he only received votes from one-fourth of them?
My master said:
"Because some wise masters long ago
did it that way."
"Besides, you are the slaves;
and we are the masters."
I did not understand his answer, but I believed him.
My master knows what is best for me.
He is a good man.

Some slaves have evil masters.
They take more than half of their slaves' money
and are chosen by only one-tenth,
rather than one-fourth, of their slaves.
My master says they are different from him.
I believe him.
He is a good man.

I asked if I could ever become a master,
instead of a slave.
My master said, "Yes, anything is possible."
"But first you must pledge allegiance
to your present master,
and promise not to abandon the system~
that made you a slave.
"I am encouraged by this possibility.
My master is a good man.

He tells me slaves are the real masters,
because they can vote for their masters.
I do not understand this, but I believe him.
He is a good man;
who lives for no other purpose
than to make his slaves happy.

I asked if I could be neither a master nor a slave.

My master said, "No, you must be one or the other."
"There are no other choices."
I believe him.
He knows best.
He is a good man.

I asked my master how our system is different,
from those with evil masters.
He said:
"In our system, masters work for the slaves."
No longer confused, I am beginning to accept his logic.
Now I see it!
Slaves are in control of their masters,
because they can choose new masters every few years.
When the masters appear to control the slaves
in between elections,
it is all a grand delusion!
In reality, they are carrying out the slaves' desires.
For if this were not so,
they would not have been chosen in the last election.
How clear it is to me now!
I shall never doubt the system again.
My master is a good man.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

era uma vez o insubsistente socialismo no kibbutz

A diferença entre ser consensualmente mitificado, nos anos 70, e de ser olhado com desconfiança num declínio evidente, não está em questões de muros, nem de fronteiras, nem de refugiados. A explicação para a dispersão dos fãs está no sucumbir daquela identificação ilusória dos românticos americanos, europeus...com as suas personagens pioneiras que se fixavam na terra prometida, partindo do zero, guiados naturalmente por uma pureza única nessa nebulosa aventura socialista com adornos bíblicos. Assim que os próprios judeus atingem a normalidade, assim que a vida lhes exige a autonomia e ambição que ultrapassam o aperto inicial, assim que se apercebem das fragilidades das práticas socialistas sionistas e que se dispõem a rejeitá-las, é nesse ponto que deixam de contar com o reconhecimento das claques distantes que esperavam uma práxis que não os deixasse ficar mal.

Unlike other socialist experiments, there is surprisingly little dogma or theory behind the Israeli kibbutz. According to some experts, this is a key reason for the communities’ relative openness to change.

Before the wave of privatizations started in the 1990s, the kibbutzim had already sacrificed other principles – including the ban on hired labour from outside the community and the idea that kibbutz children should sleep in a separate house away from their parents. “There was never a programme for the kibbutz, it was created by people living. Every time they encountered a problem, they simply tried to find a solution,” says Shlomo Getz, an expert on kibbutzim.
Exactly 100 years after the foundation of the first kibbutz on the banks of the Sea of Galilee, these solutions are taking on an increasingly capitalist tinge. (...)

But the transformation of the kibbutz from socialist bastion to capitalist co-operative is, above all, a reflection of a much broader shift in Israeli society. As the country began to prosper during the 1980s, Israelis increasingly turned away from the frugal socialist ethos that had dominated the state’s early years.
It was a development that did not leave the kibbutz untouched. “The kibbutz was never isolated from society,” says Shlomo Getz, the director of the Institute for Research of the Kibbutz at Haifa University. “There was a change in values in Israel, and a change in the standard of living. Many kibbutzniks now wanted to have the same things as their friends outside the kibbutz.
Ms Ozeri says: “People wanted more control over their own lives and economics. They wanted to make their own decisions, and have their own car and their own telephone. It is very difficult to live this strong communal life. It is very tiring.”
Just as these social trends were gathering pace, the kibbutz movement was dealt a knock-out blow from a different direction. Keen to diversify away from farming, more and more kibbutzim had started dabbling in industry, setting up businesses that – often burdened by a lack of management expertise and capital – made hefty losses.
The result was a debt-crisis, a government bail-out in 1985 – and a wholesale re-examination of the kibbutz economic philosophy.
Israeli society had always looked to the kibbutzniks as an elite group. But now they were regarded as a mere interest group that depended on money from the state,” says Mr Getz.
The answer to this dilemma – and to the communities’ financial woes – came in the form of privatisation – a process that started slowly in the 1990s and has gathered pace ever since. (...)

Omer Moav, a former kibbutznik who now teaches economics at London’s Royal Holloway University and advises the Israeli finance minister, argues that the kibbutz movement was always destined to fail. It worked, he says, only as long as kibbutzniks enjoyed a standard of living broadly comparable to, if not better than, the Israeli average. “People respond to incentives. We are happy to work hard for our own quality of life, we like our independence,” he says. “It is all about human nature – and a socialist system like the kibbutz does not fit human nature.”

Financial Times (“The rise of the capitalist kibbutz”)

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Birra Prolongada

Num dos muitos últimos dias de greve da CP, ouvi na aula das 8.00horas da manhã: Há aqueles que ficam na cama e e há aqueles que enfrentam a greve para ir à aula. Fica aqui esta pequena nota em consideração de todos aqueles que se levantam da cama, enfrentam a greve e não conseguem ir à aula., vá-se lá saber porquê.


There is nothing there which gives to workers a claim on the State. There is nothing in the Revolution which forces the State to substitute itself in the place of the individual foresight and caution, in the place of the market, of individual integrity. There is nothing in it which authorizes the State to meddle in the affairs of industry or to impose its rules on it, to tyrannize over the individual in order to better govern him, or, as it is insolently claimed, to save him from himself.


Alexis de Tocqueville

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Divinização da Regulamentação e a Perda do Espontâneo

Na medida em que os sistemas tendem a diminuir a margem de imprevisibilidade e, por isso, mais rigidamente aparecem estruturados, menos permitem no seu seio homens livres. É o que acontece não raro, por exemplo, com as famílias, os partidos e as igrejas. Não é por acaso que à medida que as igrejas se desenvolvem e se transformam em sistemas, cresce igualmente o exercício do poder de jurisdição sobre o poder da ordem. A tendência será para viver sob a forma de ritual os acontecimentos que marcaram a experiência primária da religião.
Teixeira Fernandes

Teorias da Justiça

Proposta de tema para trabalho:

ROBIN WOOD, Ladroagem como Face por Excelência da Justiça Distributiva