domingo, 25 de março de 2012

estou sempre por aqui mas estou já de saída


Aquele que se autoproclama da autoridade e desejo genuíno de querer ajudar todos em geral, encontrou a forma mais convincente de não ser questionado, de conservar a distância de segurança e de ter uma fonte de admiração prolongada porque teme o dia em que tenha, efectivamente, de fazer alguma coisa por alguém em particular.


terça-feira, 20 de março de 2012

It is vain to tell us that we ought to overlook local interests. It is only by protecting local concerns that the interest of the whole is preserved. No man when he enters into society does it from a view to promote the good of others, but he does it for his own good. All men having the same view are bound equally to promote the welfare of the whole. To recur then to such a principle as that local interests must be disregarded, is requiring of one man to do more than another, and is subverting the foundation of a free government.

Agrippa, Antifederalist No. 11

domingo, 18 de março de 2012

Sarah Slean - Drastic Measures



Don’t you want my love 
It’s a cloud it’s a broken boat 
But it might make you laugh a bit 
Easier 
I’m like the trees in the midnight parks 
Oozing danger igniting sparks 
We’ve been left by the viaducts 
With the last flame 
Of the Universe 

domingo, 11 de março de 2012

paradoxos do tempo


A noção da finidade do tempo é o único incentivo à acção. Só isso explica que consiga rentabilizar melhor 1 hora e 30 minutos, rigorosamente cronometrados com fim à vista, numa viagem de comboio, do que num fim-de-semana inteiro que serve de dispensa reservada às impossibilidades semanais mas afinal sucumbe numa maré de desperdício.

Neste caso, em vez de estar no comboio a pensar "que bom vai ser um fim-de-semana para adiantar tanto do planeado e adiado", será antes um longo fim-de-semana de intermitências com peso na consciência e a encontrar alívio no pensamento: "que jeito vai dar a próxima viagem de comboio para compensar estes dias parvos que interrompem-me sempre no pico da produtividade".

Os fins-de-semana sem viagem de comboio são ainda piores. Não há metas nem redenção possível.

terça-feira, 6 de março de 2012

O Marxismo Cultural Feminista de Bruxelas

Mais uma vez assistimos à omnisciente União Europeia a velar pelo equilíbrio das nossas sociedades, cheias de tendências obstinadas, que carecem de um tutor. Se já é banal assistirmos às regulamentações caricatas diariamente, desta vez elas trazem consigo os laivos do feminismo sedento de tratamento preferencial; referimos-mos assim às quotas por género. Sendo uma das bandeiras sobejamente conhecidas nos últimos anos, sob alçada de recomendações internacionais, revela-se agora na União Europeia a ambição de punir empresas que não promovam mais mulheres nos cargos de administração de empresas.

Uma modalidade mais frequente das quotas por género é aquela que ganha terreno facilmente no âmbito da representação política, contando com a obrigatoriedade na Constituição ou na lei eleitoral de alguns países, como a Eslovénia, Bélgica e Franca, ou com a adesão voluntária por parte de alguns partidos, no caso de países como Alemanha, Noruega e Suécia. Se este critério pode levantar muitas questões nestes casos, a aplicação de imposições e punições por parte de uma autoridade como a Comissão Europeia, atropelando instituições democráticas nacionais e imiscuindo-se nas decisões de empresas, revela-se ultrajante.

Os objectivos são agora declarados abertamente pela Comissária Europeia para a Justiça, Viviane Reding, que já em Setembro de 2011, num encontro de escolas de gestão afirmava:Todos temos de contribuir para que os nossos talentos femininos considerem seguir esse percurso em primeiro lugar. Fico particularmente satisfeita com o envolvimento das escolas de gestão europeias neste processo. Tranquiliza me ver que o sector da educação está seriamente empenhado em atacar as raízes desta desigualdade. O seu desejo tornado público passa pelo comprometimento das empresas em aumentarem o número de mulheres nos conselhos de administração, numa meta de 30%, até 2015, e 40% até 2020. A Comissão Europeia autoproclama-se com autoridade para avaliar progressos de empresas que enveredem por este caminho para então ponderar medidas futuras caso o "progresso" registado não seja suficientemente satisfatório, derivando daí o seu plano implacável contra os tão tenebrosos constrangimentos que teimem em continuar.

Toda esta estratégia vem pisar as bases fundamentais de uma sociedade livre, numa economia de mercado pois começa, desde logo, por contrariar a igualdade de oportunidades. A igualdade de oportunidades nada tem a ver com acertos falsificados de resultados; a igualdade de oportunidades é a completa abertura e liberdade, no ponto de partida, para fazer vingar as capacidades próprias sem interferência do Estado, num meio com constrangimentos próprios que são sentidos por todos e que irá premiar os mais aptos, incentivando os restantes a deslocarem-se para outras potenciais oportunidades. Esta proposta (aliás, ameaça) de quotas é uma machadada na meritocracia quando ousa tentar corrigir a distribuição de mulheres e homens através do favorecimento das primeiras. Considerando-as como grupo oprimido, parecem merecer agora um suposto "ajuste de contas" com a história, onde tudo é lícito, incluindo a redução de representação dos elementos do sexo masculino que tenham conquistado os seus cargos, revertida para o acréscimo falseado na percentagem feminina.

No caso de os empresários assistirem ao avanço desta proposta, ver-se-ão impedidos de continuar a escolher os seus colaboradores com base na produtividade de cada um e a promover o benefício mútuo. Estarão limitados na capacidade de concederem oportunidades aos indivíduos mais habilitados a aplicarem plenamente o seu esforço em determina função e, por outro lado, serão constrangidos a integrar elementos femininos numa condescendência que trabalha para cumprir as estatísticas. Não é racional que um empresário não contrate mulheres e/ou promova uma das suas colaboradoras quando vê sinais de vantagem para a empresa e para os seus lucros. Da mesma forma, é lógico que as diferenças salariais decorrem da produtividade de homens e de mulheres e se existissem razões para deixar de se registar essa desigualdade, os empresários seriam os primeiros a decidir pela alteração, de forma a incentivar os mais competentes a continuarem a colaborar e não escaparem para outro contrato mais atractivo. O que esta proposta vem preconizar mais uma vez é a proibição da discriminação, forma voluntária pela qual os indivíduos, de igual para igual, escolhem ou recusam associar-se a outros, consoante as suas preferências, necessidades, laços pessoais, etc... O impedimento ao acto de rejeição/escolha pode afectar a própria harmonia social de associação pacífica ao contrariar o curso natural da organização e delegação de poder nas empresas e ao forçar o desmantelamento da ordem que o empresário definiu como útil. Mas, acima de tudo, é um factor de desmotivação interna, obviamente ignorado pelo corpo europeu centralizado que define valores homogéneos à força, ditando prazos para consumar a sociedade perfeita.

A ideia de que é necessário procurar uma proporcionalidade estatística como ponto de equilíbrio é negar que existem desigualdades em consequência de diferentes características pessoais e de desempenho e pretende, somente, usar o discurso igualitário para fazer avançar legislação favorável, envolta na típica justificação de complexidade social que só a burocracia do Estado pode vencer. Numa sociedade livre, cabe ao proprietário escolher contratações e demissões, no sentido que potencie mais a sua vantagem competitiva no mercado, enquanto o pretensioso discurso oficial do "longo caminho a percorrer" incorre somente em desperdícios ao tentar aplicar receitas contra a divisão do trabalho e diversidade voluntária. As quotas por género, ao ignorarem indivíduos e circunstâncias concretas, no tempo e no espaço, soam como reparações de guerra que o sexo oposto parece estar obrigado perpetuamente a pagar.

"So far as Feminism seeks to adjust the legal position of woman to that of man, so far as it seeks to offer her legal and economic freedom to develop and act in accordance with her inclinations, desires, and economic circumstances—so far it is nothing more than a branch of the great liberal movement, which advocates peaceful and free evolution. When, going beyond this, it attacks the institutions of social life under the impression that it will thus be able to remove the natural barriers, it is a spiritual child of Socialism. For it is a characteristic of Socialism to discover in social institutions the origin of unalterable facts of nature, and to endeavour, by reforming these institutions, to reform nature...." Ludwig von Mises

Publicado inicialmente no Movimento Libertário

domingo, 4 de março de 2012

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

One Of Us Cannot Be Wrong

I lit a thin green candle
to make you jealous of me
but the room just filled with mosquitos
they heard that my body was free
then I took the dus from a long sleepless night
and I put it in your little shoe
then I confess that I tortured the dress
that you wore for the world to see through.

(...)

I heard of a saint who had loved you
so I studied all night in his school
He taught us the duty of lovers
was to tarnish the golden rule
And just when I was sure that his teachings were pure
he drowned himself in a pool
His body is gone but back here on the lawn
his spirit continues to drool.

Leonard Cohen

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

vai dando para remediar

Poucas coisas são mais desanimadoras do que procurar exemplos completos, numa realidade tão teimosamente corrompida e que anda sempre com muitos passos de atraso em relação à nossa expectativa. Esgotados os países, concluo que este mundo é feio demais para ser investigado. Na impossibilidade de aplicar os critérios ao contexto de Marte ou da Lua, resta descer o patamar de exigência, ser muito pessimista para tentar ser surpreendido de vez em quando e meter algum "idealismo" na gaveta, a mero título provisório. Já tenho o Top do Index of Economic Freedom todo riscado. É um grande chapadão novo todos os dias... mas vamos lá tentar dar a outra face, outra vez.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A SIC Mulher encadeia-me os olhos


Ninguém é excepcionalmente inteligente ou louco solitário quando afirma, no meio da manada, não suportar programas de canais generalistas ou temáticos – estes últimos que permitem dividir por categorias o tipo de trampa que estamos mais predispostos a ver em dado momento para rentabilizar melhor o tempo (embora ninguém que se amarfanhe no sofá, estilo alforreca, apresente sinais convincentes de ter amor ao tempo útil).

Sendo uma idiotice batida, ainda assim eu insisto em falar em mediocridade televisiva porque há um programa, em particular, que sempre me incomodou. A maioria deixa-me indiferente e consigo mudar mas aquele desperta-me desespero e vontade de partir paredes falsas e chamar o MacGyver para engendrar uma bomba com velinhas de cheiro e incenso nos bastidores.

A consistência que alimenta a coisa é: existe alguém que tem uma casa que não lhe agrada porque se cansou do estilo, ou não teve condições de investir na manutenção, ou era uma casa enorme e acima das possibilidades/necessidades, ou a casa da vizinha e da novela é “tããoo mais linda que a minha”, ou ainda (neste caso seria eu a solicitar) porque quer pregar um susto de morte a um familiar ou amigo e entrega a residência a um bando de gays e trintonas loucas, especializadas em revestimento delicodoce de madeira palha. O investimento fica a cargo das marcas que têm os seus minutos de fama, as pessoas “ganham” uma nova decoração e o canal televisivo ganha programação para encher muitas horas.

O programa pode ensinar-nos então algumas das manias que as pessoas têm, entre as quais: convicção de que alguma entidade externa e desconhecida consegue revolucionar o nosso bem-estar muito melhor do que nós próprios; ilusão de que um capricho ou mudança de humor, ou mesmo uma necessidade, pode ser respondida no imediato e sem grandes custos; ideia de que existirá sempre, algures, alguém desinteressado que nos paga almoços porque nos quer melhorar a vida, só porque sim; e mania de gerir a vida a toque de entusiasmos rápidos sem capacidade de ponderar desvantagens e desconfortos a longo prazo. Visto isto, diríamos que o programa até é bom porque nos ajuda a pôr em evidência estas tendências que se aplicam a outras áreas. Mas assistir a isto em bruto…

Como digo, todos ganham mas os indivíduos que são servidos no programa ganham entre aspas. Ganham a intromissão de gente em casa que teve aulas práticas em casas de bonecas com mestrado em bibelôs. Eles agarram nas grades mais inúteis que já tivemos na nossa vida, ao fundo do quintal, e pincelam a rosa choque; rapidamente aquela grade ferrugenta onde a nossa cadela sempre entalava o pescoço, ganha mais cor e isso surpreende-nos muito. Abrem um furo para pendurar um expositor de talheres na cozinha mas rebentam-nos os canos mas – “Rápido, tragam-me um quadro do Mário Cesariny! Fabuloso, olhe, mal se nota”.

Acho que isto basta para deixar bem representado o cenário de improvisos almofadados, durabilidade de ikea, ambientadores inibidores da podridão, células mortas envernizadas, sobreposição forçada de elementos exóticos e padrões afeminados que nos dão vontade de enfiar a cabeça no primeiro abajour que aparecer à frente. Até os cenários do cinema western conseguem parecer mais consistentes que aquela fragilidade pintada a verde alface, flores de plástico e os cristais Vista Alegre que ninguém usa para comer os cornflakes ao pequeno almoço. Ou os sofás de jardim que se enchem de húmus no Inverno enquanto as barraquinhas voam para o quintal da vizinha.

A obsessão com a mudança radical à responsabilidade de terceiros, o investimento (nem que seja a crédito) sem questionar a verdadeira utilidade e a indiferença perante o risco iminente de desmoronamento são sinais que estão no "Querido Mudei a Casa" e em todo o lado. Simplesmente, a maioria das pessoas não pensa duas vezes antes de delegar funções ao primeiro larilas que se diz especialista mas nunca teve de aspirar a desviar-se dos emplastros ou que não tem miúdos em casa que levem com o Buda na mona depois de tropeçar no candeeiro em forma de papoila gigante. A megalomania e os papéis de parede coloridos só tapam as paredes de terra batida entre pessoas que não percebem que depois do programa, depois de dispensar o acessório e as distracções – vidrinhos, espanta espíritos, gaiolas vazias e velinhas – deixaram que lhes construíssem um lar à base de prateleiras padronizadas e baratas. Ninguém dá nada a ninguém e ninguém sabe melhor gerir e decorar a vida do que nós próprios. Até nisto, as lições começam em casa.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

If I only could, I'd be running up that hill


And if I only could,
I'd make a deal with God,
And I'd get him to swap our places,
Be running up that road,
Be running up that hill,
With no problems.

repetem-se e renovam-se

Os observadores tácitos somavam à hesitação, a falta de apetite. Os grandes movimentos iam cheios de desperdício, cambaleando e enchendo e reenchendo o copo a tapar a vergonha com a gargalhada torpe, repetindo trivialidade e em fuga dos embaraços cerebrais. Não se percebia se a ostentação descansava nos intervalos ou se a normalidade pesava na actividade teatral e expunha os embustes. Mas não faz mal porque mal se nota. Notavam os observadores; a observação de tão exagerada e perspicaz sentia náuseas dos sucessos desses anónimos que tudo abraçam. Só a ideia, de tão remoída, bastava para repudiar a experiência de vender a alma e aumentar a actividade. Observar era uma actividade mais contínua e de acréscimo do que a abrupta sede dos mais vistosos mas subitamente declinados. Apunhalados às escondidas por escolha própria, desprevenidos no próprio alvoroço. Apunhalados de olhos abertos nunca conseguiam ver tanto como os que, desde sempre os observaram, silenciados à margem do delírio. Não sobra nada para além das frames registadas a olho nu e o retrato derrotista que a ninguém aproveita. Os apunhalados eram repetições, as sistematizações completas do que não desejar. Entre a falta de apetite e a repugnância diante dos apunhalados, só há desperdício mas por existirem eles e os punhais, há desgaste a mais aqui. Se deixarem de existir os apunhalados, os que esvaziam o copo cedo demais para não o entornar, o desgaste estará entre os observadores e será ainda mais técnico e pesado.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

incentivo

É quando somos comparados ao que de pior evitámos durante anos; quando se ofendem com tudo aquilo que nos esforçamos por saber dizer; quando tudo o que de valor fizemos é olhado com desprezo, face aos pecados dos piores seres que conhecemos; quando as coisas em que nos dedicamos são depreciadas como caprichos insignificantes; quando nos ameaçam tirá-las com o indiferente contentamento de nos pisar os ossos. É quando este insulto não desperta em nós nenhum arrependimento mas provoca uma revolta insuperável e nos iramos para defender tudo o que foi ultrajado. É nessa altura que percebemos que escolhemos e trabalhámos para nós e não para agradar aos outros. O que nos fizeram não foi uma ofensa. Foi um meio violento de confirmação. Uma forma de nos assegurarmos.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Fuga aos Democráticos Assassinos em Massa

Perante uma briga no recreio entre um filho e um outro colega, quantos de nós sairíamos de casa, de arma em punho, dispostos a aniquilar todos os filhos dos nossos vizinhos? Seria obviamente uma acção desproporcional e – a menos que um pai muito rancoroso considerasse isso racional dentro da sua percepção de valor – a maioria de nós concordará que os custos que decorrem dessa atitude seriam incomparavelmente superiores aos benefícios e a via pacífica do diálogo entre os envolvidos, seria preferível para prevenir futuros incidentes. Contudo, não é este entendimento que está subjacente às intervenções do Estado e as justificações para esforços adicionais que a democracia protagoniza estão, não raras vezes, alheias a cálculo de respeito pelas liberdades dos indivíduos.

Na presente época eleitoral nos EUA, Ron Paul é um visto como infiel, um perigoso pacifista e "isolacionista", em ambiente de cruzadas santas. A resistência republicana conservadora continua abraçada aos interesses corporativos e a promover o genocídio que assenta na mesma propaganda que "incendiou" a Europa, na primeira metade do séc. XX e que institucionalizou o dualismo moral das guerras em nome da segurança da democracia, desde o legado do presidente Wilson. Só uma visão bipolarizada e viciada da realidade mundial pode explicar a continuidade destes defensores do intervencionismo desmesurado que provoca indecisão até no pensamento de alguns liberais, esquecidos estes de que a paz é a condição fundamental para o livre comércio e respeito mútuo entre as nações. É curioso observar que são os próprios militares e veteranos de guerra a apoiar Ron Paul, sendo que em 2008, o financiamento destes ao candidato libertário superou a quantia total dirigida aos outros candidatos republicanos. Entretanto, a incoerência de declarar guerra a países considerados "não democráticos" para os educar e evitar conflitos futuros fica imune a críticas graças à legitimidade da democracia como religião política contemporânea.


Considerar que as forças de protecção monopolizadas pelo Estado são insubstituíveis porque terão como atributos a prontidão, infalibilidade e imparcialidade é ignorar todos os desperdícios da ambição expansionista e esquecer que todas as necessidades no mercado motivam o surgimento de oferta diversificada que maximiza a qualidade do serviço e adapta a acção no sentido da eficiência, neste caso, na defesa pura de vida, corpo e propriedade. Enquanto cada um de nós reúne informações próprias e únicas que permitem entender se precisamos de câmaras de vigilância espalhadas pela casa ou se podemos ausentar-nos por momentos e deixar a porta aberta, o Estado democrático não tem limites e graus ponderados de prevenção e violência a aplicar, pois despende muitos recursos na procura de alguma informação possível e organiza os meios, somente em favor dos grupos que são mais determinantes para a reeleição.

Produção de segurança puramente privada é superior a qualquer esquema compulsivo, pois encontra alternativas na ordem social que conseguem ser altamente especializadas e respondem de forma mais produtiva com melhores produtos às necessidades particulares. Se uma agência de segurança privada não é mais eficaz e menos dispendiosa, como explicaremos as escolhas em favor do fornecimento privado de segurança nas Universidades, Hospitais e em muitos outros espaços, quer públicos quer privados? A normalidade com que decorre o seu desempenho mostra que os "mercenários" não envolvem um risco maior que dê azo a abusos, comparando com a segurança de provisão estatal. É, por seu turno, a militarização das democracias e um certo incitamento ao ódio que sustenta decisões que não são racionalmente úteis para a sociedade e até os militares perdem noção de preço dos actos. O Estado define o valor aceitável para dada "missão" e reduz tudo a uma escolha moral colectiva. Isto esvazia a função de defesa e conforme o testemunho de Roman Skaskiw, – enquanto veterano de guerra norte-americano convertido à escola Austríaca – hoje, o papel do soldado como provedor de segurança é de importância secundária porque funciona mais como expressão de orgulho e identidade nacional. Isso seria muito difícil de imaginar numa agência privada. Skaskiw defende ainda que os preços de mercado e patrocínio voluntários são restrições muito mais eficazes para moderar o belicismo do que qualquer constituição.


Ninguém fica satisfeito com um alarme que está constantemente a disparar, não estamos descansados se o nosso cão de guarda morde todos os nossos vizinhos e também não permanecemos num espaço comercial por muito tempo se a presença dos serviços de segurança se sobrepuser a todo o ambiente. Estes exemplos têm em comum a perda da utilidade para o qual estariam destinados, porém, são facilmente corrigidos pela adaptação dos nossos comportamentos. Pagar custos directos da guerra é passo decisivo para a paz porque se a ligação entre financiadores e beneficiário desaparece, vai incentivar a criatividade ilimitada face a inimigos externos e a invocação de consenso democrática para dar espaço a free-riding. Lidar com o perigo que tem uma certa probabilidade de acontecer e proteger a vida e os bens materiais deve estar intimamente ligado às preferências dos indivíduos e à intensidade do esforço que estão dispostos a empreender.

Assim como na segurança interna, também a nível externo a indústria da segurança privada está em clara expansão e o leque de oferta é bastante variado. Estas agências são, frequentemente, contratadas também pelos próprios governos o que deve suscitar algum cepticismo, face à possibilidade desta alternativa ser desvirtuada e usada para canalizar, por via indirecta, recursos dos contribuintes para favorecer pactos com algumas destas agências. Embora os incentivos que potenciam a corrupção das instituições, públicas ou privadas, estejam sempre presentes, vale a pena referir exemplos que revelam a operacionalidade das alternativas. Entre as muitas agências que se têm multiplicado, encontram-se: Chase Waterford (Personnel e Special Projects), AirScan Inc., Background Asia, ArmorGroup International, e ainda Academi (inicialmente denominado Xe Services LLC), entre muitos outros exemplos espalhados pelo mundo.

Enquanto o estado conserva a função de protector mas serve-se dela para justificar a agressão incessante e tributação pesada sobre os cidadãos, uma agência privada não pode voltar-se contra os seus clientes graças à concorrência frente a agências que ofereçam melhores condições.
A ideia de que as democracias não iniciam guerras e que não se desenvolvem guerras entre estados democráticos tornou-se um axioma entre especialistas de relações internacionais e burocratas ocidentais que actuam sobre o "chapéu" da defesa dos direitos humanos. A luta contra as supostas autocracias e a condescendência para com intervencionismo norte-americano mostram como a tendência para a violência pode arrastar até o apoio popular de forma gradual, perdendo de vista o respeito pelo território de terceiros e a racionalidade de resposta exclusivamente em caso defensivo.


A própria lógica eleitoral reúne incentivos perniciosos que levam à militarização sem preocupação pela preservação da propriedade, ao contrário da moderação com vista ao longo prazo que é característica das monarquias. O comportamento beligerante leva a uma centralização de todas as infra-estruturas em torno de guerras ideológicas distintas de outras soluções em que os indivíduos escolhem entre agências quando percepcionam o perigo que justifica o investimento. Escolhem pela prevenção e defesa sem atropelar as prioridades diárias, como o comércio e os assuntos da comunidade local comum, com um discurso atemorizador permanente. Os próprios relacionamentos de proximidade inibem focos de violência e as sanções morais e vínculos entre indivíduos desempenham a função dissuasora que nenhuma estrutura coercitiva artificial pode suplantar.

Publicado inicialmente em Movimento Libertário.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Até uma formiga aprendia isto

Within the frame of social cooperation there can emerge between members of society feelings of sympathy and friendship and a sense of belonging together. These feelings are the source of man’s most delightful and most sublime experiences. They are the most precious adornment of life; they lift the animal species man to the heights of a really human existence. However, they are not, as some have asserted, the agents that have brought about social relationships. They are fruits of social cooperation, they thrive only within its frame; they did not precede the establishment of social relations and are not the seed from which they spring.

MISES, Human Action.

Se não perceberam como funciona, perguntem a estes tipos :

Ajuste


Quanto mais compulsivo é um longo e amordaçado "diálogo", mais qualidade e força ganha a resposta incisiva que o desfecha.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A group must be formed and maintained at a certain cost. A group excludes some and includes others. The primary form of a larger group is the linguistic community; the communities range from clans (extended family) to tribes and, eventually, to nations. A nation is originally a linguistic community. In the wake of the French Revolution and the ensuing democratization of war (with the introduction of general conscription in 1793— one of the evils bequeathed to us by the French Revolution), “nation” got its political connotation. And with it, the ideologization of war followed, which culminated in the twentieth century, when “democracy” became the new state religion, and the enemy was eo ipso declared to be “undemocratic,” i.e., an unbeliever. Wars became holy missions, crusades. Think of Wilson’s slogan: “To make the world safe for democracy.” In the totalitarian state, whether Soviet socialist, national-socialist, or a totalitarian democracy, war becomes total.

Gerard Radnitzky, Is Democracy More Peaceful than Other Forms of Government?


quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Entrevista a Hans-Hermann Hoppe, na sua recente visita à Roménia. Excelentes comentários que passam, nomeadamente, por welfare state, elites e bancos centrais, integração europeia, centralização vs unidades políticas de pequena escala, identidade e conflitos étnicos.

History, Natural Elites, and State Elites. An Interview with Hans-Hermann Hoppe from Mises Romania on Vimeo.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Too Big to Fail

Quando somos privados de uma certa coisa, tendemos a reconhecer o seu inteiro valor, neste caso como representando certo benefício que perdemos. Fica a falha por colmatar, associada a alguma necessidade. Num efeito inverso, quando abdicamos de um conjunto enorme de coisas que tínhamos confortavelmente como garantidas, e o fazemos em favor de uma só, mesmo que de forma temporária, o empenho adicional e sacrifícios que envolvem tornam-na muito maior do que realmente é. Sobrevalorizamos porque ocupa toda a nossa acção e atenção. Os custos de um fracasso perante isto são tão imensos, de tirar o fôlego até receber um sinal, por tímido que seja, a meio do caminho.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Sindicatos: os Persuasores da Ineficiência

Sucedem-se greves, essa arma de último recurso tão pronta e indiscriminadamente usada. Manifestamos, então, as reacções típicas de alguém que vê os projectos do dia frustrados, não só pelas incontroláveis incertezas, como se estas não bastassem, mas ainda pela acção deliberada de um certo grupo de interesses que arrasta poderes nocivos, sob uma permanente intocabilidade legal. Enquanto exteriorizamos alguma insatisfação, será comum obtermos a resposta: “Se a greve não prejudicasse os outros não tinha razão de ser; é preciso que transtorne senão não tem efeito”. É esse o ponto essencial. A greve não esconde que é realizada com o propósito de causar danos a terceiros como meio de atingir o impacto ambicionado, favorável aos seus interesses.
É inculcado na opinião dominante, de forma a torná-la subserviente e tolerante, que a luta sindical é a luta pelo emprego e que é à luta sindical que se ficam a dever as melhorias de remuneração e de consequente bem-estar geral da população, ao longo dos anos. Porém, esta versão está longe de corresponder à realidade e numa posição libertária não parece concebível pactuar com esta forma de iniciação de violência. Trata-se de uma clara intromissão na liberdade de outros indivíduos, desde o próprio empregador, ao trabalhador não sindicalizado, até ao não menos negligenciável cidadão/consumidor. Ao coagir outros trabalhadores a alinhar nas estratégias colectivistas pela quebra de compromissos contratuais, ao intimidar os colegas de profissão que insistem em trabalhar, ao forçar no sentido de uma decisão ineficiente por parte do empregador e, não menos importante, ao afectar a rotina diária dos indivíduos exteriores à reivindicação e à causa que ganha protagonismo, provocam atrasos, falhas em compromissos inadiáveis e até despesas adicionais (meios de transporte, emergências médicas, alternativas para ocupar os filhos, etc), os agitadores estão a invadir a propriedade e a constranger as liberdades de um número muito superior de indivíduos, quando comparando com o número dos potenciais beneficiários.

São, invariavelmente, lutas que visam pura e descaradamente extrair mais recursos aos contribuintes, no caso dos serviços públicos, ou aos consumidores, no caso de outros bens e serviços de iniciativa empresarial privada. A nível profissional, são de facto os trabalhadores numa situação mais frágil que sofrem em primeiro lugar com a ingerência dos inflexíveis e desinformados sindicatos na relação contratual entre as partes. Desinformados porque estão longe de deter uma informação menos imperfeita do que aquela que pode ser garantida pela negociação individual e pelas forças de equilíbrio de mercado. As exigências são arbitrárias e pouco pensadas, assentes em justificações ambíguas como “salário digno”, ignorando as possibilidades e a verdadeira margem de lucro do empregador, nos casos em que ele existe.
Para além das implicações identificáveis pelo mais elementar senso comum, a acção orquestrada dos sindicatos tem consequências mais profundas na economia que não deixam de ser bem perceptíveis a todos aqueles que se predispuserem entendê-las. Ninguém contesta, num olhar retrospectivo, que a União Soviética foi uma completo exemplo do declínio económico pela permanência numa deficiente alocação de recursos que resultou do método despótico de interacção entre agentes. O sindicalismo não entra na equação dos incentivos espontâneos pois contraria o natural declínio de indústrias e serviços inviáveis (veja-se o caso da CP, em Portugal) e, por outro lado, torna mais nebulosos os sinais a nível de preços por parte de novas empresas promissoras que ofereçam, naturalmente, salários mais elevados, como reflexo do seu valor. O efeito mais nefasto para a economia é a distorção do preço do trabalho e é deste prejuízo que derivam, mais cedo ou mais tarde, todos os outros problemas. A chantagem que pressiona por salários acima do preço de equilíbrio de mercado (recta WW') levará sempre a uma diminuição do número de trabalhadores pois o empregador já não tem vantagem em empregar trabalhadores cujo trabalho tem valor inferior ao do salário mínimo exigido pelas forças sindicais.


Conforme depreendido pela figura (post anterior), verifica-se um inevitável recuo do número de trabalhadores contratados (ponto C), no seguimento da fixação do salário mínimo acima do equilíbrio de mercado (ponto B). Ao diminuir o número de contratações, aumentará o número de indivíduos à procura de emprego e dispostos a trabalhar por preço mais baixo. As “conquistas” orgulhosas dos sindicatos engrossaram as fileiras de desempregados, baixaram os salários em outras actividades ou empresas e desvalorizaram o trabalho pela abundância de oferta de trabalhadores face às possibilidades de absorção pelo mercado de trabalho. É um efeito incontornável, tal como qualquer outro aumento de preços implica sempre menor volume de compras por existirem menos interessados em sacrificar uma quantia elevada por determinada troca. O favorecimento nesta lógica é, geralmente, em favor dos trabalhadores com emprego mais assegurado e dos mais produtivos. Os sindicatos também tendem a ter mais força em actividades que por si mesmas já são bem remuneradas na situação inicial. O aumento dos salários destes será feito à custa dos trabalhadores numa situação mais susceptível.
Estamos diante uma força colectiva que paralisa as forças voluntárias do mercado e pressiona o poder político, numa óbvia acção de rent-seeking, para almejar a regulação favorável aos seus interesses, tão egoístas quanto quaisquer outros. Está muito longe de defender um bem comum a que tanto se arroga mas contribui directamente, isso sim, para restringir a oferta de trabalho, quebrar a produtividade de dada actividade, elevar os custos de produção, limitar as possibilidades de poupança do empresário e, consequentemente, criar barreiras a novos investimentos e à expansão da indústria.

Por princípio libertário o homem define-se como merecedor dos frutos do seu trabalho e a força que aplica no trabalho em que se envolve deriva somente de si mesmo, da sua vontade, do benefício que calcula obter, sendo responsável por empenhar nesse esforço os custos que considera racionais, em pleno exercício da sua self-ownership. É pela troca de benefícios em reciprocidade numa negociação individual que é mais eficiente encontrar um acordo mútuo vantajoso, contornado as dificuldades da informação dispersa. É a esta dispersão de informação que a negociação colectiva, presidida pelos sindicatos, jamais terá capacidade de dar resposta, reduzindo-se a rude substituta artificial do funcionamento harmonioso do mercado. Forçar vínculos e rigidez de mercado em favor de alguns privilegiados, incutir perdas até a outra parte ceder (invadindo a sua propriedade e escolhas) e impedir a agilidade das respostas em adaptação ao mercado são os principias legados que a acção sindical, consubstanciada nas greves constantes, tem a oferecer aos membros da sociedade. Maximizar a vantagem do trabalhador às custas do produtor, dos trabalhadores não sindicalizados, de outros trabalhadores que perdem emprego, dos consumidores que enfrentam uma possível subida dos preços (devido ao aumento dos custos para as empresas) ou dos contribuintes que terão de sustentar a avidez dos que encontram no Estado uma fonte, aparentemente inesgotável.

Importa lembrar, quando alguém se sentir moralmente culpado por contrariar a defesa do “emprego” e do “padrão de vida digno” dos trabalhadores, que se um sindicato consegue fixar um salário mais elevado do que aquele que seria resultante nas negociações espontâneas, outros indivíduos estarão a ser sacrificados. Quanto maior o alcance do sindicalismo, tendencialmente crescente será a porção desempregados e mais fracos e desviados serão os investimentos que o empresário conseguirá promover, levando a perdas de eficiência e perpetuação legalmente consentida de fenómenos que nunca se arrastariam na saudável premiação e punição em ambiente concorrencial.

HAYEK, Friedrich, The Constitution of Liberty. The University of Chicago, 1960.
ROTHBARD, Murray, Man, Economy and State: A Treatise on Economic Principles. Ludwig von Mises Institute, Scholar’s Edition, 2004.

sábado, 26 de novembro de 2011

minuto verde

Factos recentes comprovam. O uso intensivo de secadores de cabelo ou alisadores, ligados à corrente durante longos períodos de tempo, implicando inclusive, fortes emissões de calor para o ambiente envolvente, estão a gerar mudanças irreversíveis e gritantes nos organismos vivos expostos, exigindo cortes drásticos e corajosos. Tenho o cabelo todo espigado.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

isto não é um elogio aos escandinavos

Nos países escandinavos, quando um indivíduo não se sente bem com a vida que leva, suicida-se. Nos países do sul, faz greve.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

The Sky Is A Landfill

This way of life is so devised to snuff out the mind that moves
Moving with grace the men despise, and women have learned to lose
Throw off your shame or be a slave of the system

I see you take another drag
One more lost soul to raise your flag
The sky is a landfill
I see you take another drag
Let's see you take another drag

You like to dance to the rolling head of the adulteress
You sing in praise of suicide
We know you're useless
Like cops at the scene of crime

Throw out the stones from all the cemetery homes
For the violence of a nation gone by
Or the politics of weakness and the garbage dump of souls
That will now black the sky

Jeff Buckley

sábado, 12 de novembro de 2011

Ben Folds - Rockin' The Suburbs


Y'all don't know what it's like
Being male, middle class and white

It gets me real pissed off, it makes me wanna say
It gets me real pissed off and it makes me wanna say
It gets me real pissed off and it makes me wanna say
FUCK!

Just like Jon Bon Jovi did
I'm rockin' the suburbs
Except that he was talented
I'm rockin' the suburbs
I take the cheques and face the facts
That some producer with computers fixes all my shitty tracks
These days