sexta-feira, 23 de julho de 2010

Charlotte Martin - Wild Horses

I watched you suffer a dull aching pain
Now you decided to show me the same
No sweeping exits or offstage lines
Can make me feel bitter or treat you unkind
Wild Horses couldn't drag me away
Wild, wild horses, couldn't drag me away


Hierarquia constitucionalmente fundada

Não devemos ficar surpreendidos por os portugueses serem socialistas. Os portugueses adaptaram-se a uma sociedade socialista e politizada em que o que conta é o poder. Os portugueses estão habituados a relações hierárquicas. Relações verticais com os superiores e os inferiores em vez de relações horizontais com os seus pares.
(...)
Regras constitucionais como o “tendenciamente gratuito” e a obrigação do Estado de manter uma rede pública de saúde servem para manter coesa a coligação de interesses que sustenta o socialismo. Estas regras politizam a sociedade, criam incentivos ao status quo, dificultam a vida aos dissidentes que poderiam existir dentro do próprio sistema público. A esquerda percebe isto muito bem. Eles são contra qualquer alteração destas regras, mesmo que se continue a garantir as necessidades dos mais desfavorecidos doutra forma, porque sabem que elas dificultam a liberdade de escolha e o opting out. O maior inimigo do socialismo em Portugal é o opting out. Com opting out o sistema público desfaz-se.

A eliminação das regras constitucionais que suportam o actual sistema público abre um conjunto de possibilidade que poderão desestabilizá-lo: concorrência entre instituições públicas e entre estas e as privadas, spin off de instituições públicas, salários diferenciados no sector público, mais atenção às necessidades dos clientes e menos atenção aos desejos da hierarquia.


João Miranda, Blasfémias

quarta-feira, 21 de julho de 2010

The law perverted!


Enquanto pensamos nas propostas de alteração à Constituição actual da Partidocracia Portuguesa(tão pouco programática), podem recordar-se ideias, já distantes e descomprometidas, de Bastiat.

How to Identify Legal Plunder
But how is this legal plunder to be identified? Quite simply.
See if the law takes from some persons what belongs to them, and gives it to other persons to whom it does not belong. See if the law benefits one citizen at the expense of another by doing what the citizen himself cannot do without committing a crime. Then abolish this law without delay, for it is not only an evil itself, but also it is a fertile source for further evils because it invites reprisals. If such a law—which may be an isolated case— is not abolished immediately, it will spread, multiply, and develop into a system. The person who profits from this law will complain bitterly, defending his acquired rights. He will claim that the state is
obligated to protect and encourage his particular industry; that this procedure enriches the state because the protected industry is thus able to spend more and to pay higher wages to the poor workingmen.
Do not listen to this sophistry by vested interests. The acceptance of these arguments will build legal plunder into a whole system. In fact, this has already occurred. The presentday delusion is an attempt to enrich everyone at the expense of
everyone else; to make plunder universal under the pretense of organizing it.


Legal Plunder Has Many NamesNow, legal plunder can be committed in an infinite number of ways. Thus we have an infinite number of plans for organizing it: tariffs, protection, benefits, subsidies, encouragements, progressive taxation, public schools, guaranteed jobs, guaranteed profits, minimum wages, a right to relief, a right to the tools of labor, free credit, and so on, and so on. All these plans as a whole—with their common aim of legal plunder—constitute socialism.

Now, since under this definition socialism is a body of doctrine, what attack can be made against it other than a war of doctrine? If you find this socialistic doctrine to be false, absurd, and evil, then refute it. And the more false, the more absurd, and the more evil it is, the easier it will be to refute. Above all, if you wish
to be strong, begin by rooting out every particle of socialism that may have crept into your legislation. This will be no light task.


Frédéric BASTIAT, The law, 1950

Na barra cronológica surge disto

Andava a organizar ficheiros no meu PC, relembrando umas mais felizes e outras menos felizes, e lembrei-me de partilhar este excerto interessante de um trabalho que fiz aqui há tempos.
Simples curiosidades com o máximo de isenção e imparcialidade, claro está.

"Em Maio de 1964, o Conselho Nacional Palestiniano aprovou o texto da Carta Nacional Palestiniana é pertinente salientar os seguintes artigos, de modo a compreender melhor as motivações que estão em causa na questão das fronteiras. Na Carta que serviria de base à criação da Organização de Libertação da Palestina, declaravam então:

Art.2º - A Palestina com as suas fronteiras reconhecidas em tempos do mandato britânico, é uma unidade territorial indivisível.
Tal enunciado não parece augurar alternativas que incluam o Estado judaico de forma alguma e, diga-se de passagem, não atenta para a divisão com a Jordânia, já que mandato britânico estendia-se pelo território que actualmente é ocupado por Israel, Palestina e Jordânia.

Art.4º – O povo da Palestina determinará o seu próprio destino quando completar a libertação da sua Pátria, de acordo com os seus próprios desígnios e a sua livre escolha e vontade. Está patenteado aqui o legítimo desejo à auto-determinação e não só; recorde-se que a Pátria palestiniana a libertar abarca também a área na qual se estabeleceu legalmente o Estado hebraico.

Art.18º - Tanto a Declaração Balfour como o mandato britânico, tal como as suas consequências, consideram-se nulos. As pretendidas relações históricas ou espirituais entre os judeus e a Palestina não coincidem com as realidades da História, nem tão pouco com as condições verdadeiras da formação do Estado. O judaísmo é uma religião monoteísta, não é uma nacionalidade com existência independente. Para além disso, os judeus não formam um povo com personalidade independente, porque são cidadãos das nações a que pertencem. Afirmações tão explícitas são incontornáveis. Que a representação dos desígnios palestinianos rejeita literalmente a base legal do Estado de Israel bem como a unidade judaica como uma comunidade coesa e unida por laços de sangue e de partilha de uma mesma matriz religiosa, é um facto manifesto. Neste caso, a dispersão dos judeus por diferentes espaços organizados, por diferentes Estados, é um dado que serve de arma para denunciar uma falsa entidade nacional detentora de direito de soberania.

Art.19º - O sionismo é um movimento colonialista na sua concepção, agressivo e expansionista nos seus objectivos, segregacionista na sua configuração e fascista nos seus métodos e instrumentos. Israel, com a sua capacidade para expandir este movimento destrutivo e enquanto pilar do colonialismo, constitui uma fonte de permanente de tensão para o Médio Oriente em particular e para a comunidade internacional em geral. Por isso, o povo palestiniano necessita de apoio e de solidariedade da comunidade das Nações.
Se há alguma comunidade organizada que tem granjeado amplo apoio e compaixão diante da comunidade internacional e da opinião pública, essa comunidade é a palestiniana. O problema irresoluto dos refugiados palestinianos é verdadeiramente preocupante. Porém, na data da apresentação desta Carta aqui apresentada, os refugiados eram fruto dos conflitos de 1948, conflito esse que foi despoletado pela agressão árabe bem reflectida a delineada num plano de acção contra o Estado recém-proclamado. Em 1964, data da Carta Nacional Palestiniana, antes mesmo da guerra dos Seis Dias que encerrou tantos fracassos e ofensas aos agressores de Israel, teriam o Conselho Nacional Palestiniano motivos plausíveis que fundamentassem a categorização do Estado como agressivo, expansionista, segregacionista e até fascista?

Art.20º - A necessidade de segurança e paz, assim como o Direito e justiça, requerem que todos os Estados considerem o sionismo como um movimento ilegal, que prescrevem a sua existência e que proíbam as suas operações, com o fim de preservar as relações amistosas entre os povos e de salvaguardar a lealdade dos cidadãos para com as respectivas pátrias. Esta tentativa de subestimar e depreciar um movimento legitimado ao longo de décadas, que nunca escondeu os reais propósitos catalisadores, transparece certos resquícios de aversão, por parte da OLP, a qualquer tipo de negociação com esse projecto sionista, instalado numa região em que não é bem-vindo, apesar de declaradamente autorizado e oficializado o retorno a Sião, expressão legal do sonho ancestral. O artigo 20º da Carta Nacional Palestiniana ousa desacreditar o sionismo diante dos Estados, numa manobra insensata de negar ao outro, o direito de existir, de ser reconhecido e de ser um actor nas relações internacionais. A este ponto, nunca chegou Israel em relação às autoridades palestinianas. Desde o início, as populações recém-chegadas e a sociedade que se consolidava, estiveram expostas a condições pouco dignas, tal era a escassez de recursos naturais e a carência de empreendimento humano, expostas a tensões originadas pelo choque entre diferentes populações e sujeitaram-se a acções agressivas que faziam adivinhar, logo na década de 20 e de 30, que sionismo e nacionalismo árabe haviam de polarizar-se e potencializar a desordem.

Com a anterior apresentação de alguns dos artigos que compõem a Carta Nacional Palestiniana não é pretendido denegrir a actuação e os princípios que orientam a OLP e toda a legalidade que acompanha o desenvolvimento de organismos estruturantes para a Palestina, muito menos pactuar com qualquer linha de pensamento alarmista que leve à apologia da defesa inflexível de por parte de Israel face a um inimigo mal intencionado e totalmente anti-sionista. É útil, porém, observar o tom que domina nos excertos da Carta apresentada e perceber que existe um Estado soberano que depara-se com uma pressão árabe ciosa de afirmar o Médio Oriente como espaço homogéneo, inteiramente árabe e fazer valer as suas reivindicações pela completa independência e domínio de todo o território como estava nos planos antes que a Grã-Bretanha se lembrasse apadrinhar os propósitos sionistas. Se Israel deseja de facto uma manutenção eficaz do seu Estado e de fronteiras estáveis e defensíveis, é natural que não fique indiferente às palavras expressas em documentos escritos, como o atrás referido."

domingo, 18 de julho de 2010

Ângulo

Detive-me na ponte, debruçado,
Mas a ponte era falsa - e derradeira.
Segui no cais. O cais era abaulado,
Cais fingido sem mar à sua beira...

- Por sobre o que Eu não sou há grandes pontes
Que um outro, só metade, quer passar
Em miragens de falsos horizontes -
Um outro que eu não posso acorrentar...


Mário de Sá-Carneiro, Barcelona - setembro 1914

Da terra dos optimistas


A postura que uma pessoa adopta perante as variadas peripécias do dia-a-dia é determinante para os resultados que visa obter e para o próprio decorrer de todas as suas acções. Quando uma acção é feita por vontade própria, com gosto, aptidão, dedicação e consciência de uma vantagem daí decorrente, a actividade será mais “rentável” (chamemos-lhe assim) do que quando a atitude face a ela é já de retracção, rejeição, inadaptação e descrença num bom resultado. Esta evidência já foi compreendida por muitos indivíduos por esse mundo fora e pô-la a render não exigirá porém nenhum caderno de regras obsessivas de conduta optimista. Basta reconhecer a natural tendência para o sucesso (palavra que preferia evitar, já que abunda suficientemente nas prateleiras de pseudo-gestão empresarial, auto-ajuda…)

Há dias em que não suporto ouvir palavras como: “confiança, futuro, esperança, encorajamento, incentivo, estabilidade” pela simples razão de tais palavras, no contexto em que são pronunciadas, patentearem uma espécie de subestimação da consciência/inteligência de cada pessoa que as tem de ouvir em persistência ensurdecedora. É como se eu acreditasse, por exemplo, que um determinado livro me vai acrescentar conhecimento apenas por ficar, dias e dias, a olhar para a capa, excentricamente animada com muita “força de vontade” ou como querer semear arroz no deserto quando já estou farta de saber, à partida, que o arroz precisa de abundância de água e que não é por um tipo me vir dizer que eu tenho que persistir nessa aventura com grande confiança que me vou estagnar nessa idiotice. O que aqui se passa chega a atingir o comportamento paranormal e se não fosse suficientemente assustador eu não reagiria desta forma. Quando alguém assume a gravidade real da situação económica portuguesa, muitos, (e não são poucos) levantam-se para acusar esse alguém de ser pessimista, oportunista, Velho do Restelo, renegando-o e condenando-o à irrelevância enquanto as gentes concordam em uníssono à inevitabilidade. A imagem que tento aqui transcrever é digna daqueles filmes tipicamente cinzentos que nos fazem parar para entender onde chega o comportamento descontrolado de cada um.

A sociedade civil exige cada vez menos, aceita o Nada acreditando que é Tudo e iludido de que é O Mais acertado, enquanto a qualidade e a responsabilidade da classe política vai acompanhando essa mediocridade da sacrossanta democracia a que todo o bom cidadão se sagrou.
Iludidos pela ideia de que alguém muito competente estará na frente de batalha e terá discernimento divino e incontestável, não haverá resignação quando um governo corta na receita a aplicar mas não corta nas despesas da sua própria máquina administrativa e burocrática; quando um governo é incompetente na gestão de dinheiros comunitários que teria de limitar-se a distribuir pelos projectos que lhe apresentam fruto da livre-iniciativa, cortada pela raiz, na maior parte das vezes; quando um governo (ou desgoverno) se perpetua no poder fingindo transpirar e pensar em prol da resolução dos problemas do país e quando as únicas ideias que apresenta são aumentos sucessivos de impostos, esses remendos diários que amputam a pouca capacidade de gerar riqueza, ainda sobrevivente e que deslocam os problemas do ponto A até ao ponto B, sugerindo melhorias temporárias.

Quando sabemos que o nosso país tem um dívida externa que ronda os 500 mil milhões de euros e que as subidas de impostos que sufocam o futuro próximo prometem amealhar uns míseros 400 milhões, aí eu pergunto, o que significa ser optimista? Não, não estamos a crescer, nem vamos crescer tão depressa, ao contrário do que um certo senhor vem afirmar no debate do Estado da Nação, neste mês de Julho. Portugal não tem sido produtivo em bens transaccionáveis e não é pelo caminho que estamos a seguir que vai passar a ser tão cedo, precisamente pelos problemas estruturais que o governo se recusa a conhecer e a corrigir; não faz nem deixa fazer quem ainda reúne valoroso engenho e criatividade humana. Eu disse bens transaccionáveis, sim! Pequenas? Pequenas são as pontes por onde passam todos os dias nos vossos automóveis. Portanto...é fazerem as contas.
Se a desconfiança dos mercados internacionais não anda nos seus dias e relação a Portugal, também não é com ingerências ilegais do Estado a travar negócios entre países da UE que tal credibilidade vai crescer nem com entrevistas superficiais ao Financial Times. O que tenta ser passado como verdade hoje é negado nas práticas do Amanhã e o europeísta de hoje, usa argumentos salazarentos contra esses ultraliberais que se vão conseguindo ver em todo o lado, sempre que os socialistas os conseguem detectar; e vão ver-se Gregos para deixar de os ver.
Ser optimista não é para todos: é para os bem instalados/dependentes da rede clientelar que vai mantendo a água morna e não a deixa entornar; é para os ignorantes que acham que é de bom tom dizer-se optimista e que não se cansam de levar pancada; e é para alguns geneticamente bem intencionados mas mal informados que ainda não tomaram consciência ou preferem ignorar com medo de espreitar, não vá a desgraça exceder as expectativas (Quem não vê é como quem não sente).

Ânsia de poder? Não imagino quem a poderá ter nos próximos anos. Só poderá ser um sujeito muito responsável, munido de coragem e "esperança" e com a certeza de que reúna respostas mais eficazes e profundas do que meras subidas de impostos, único escape que os Indigitados de Poder cá vão encontrando para se livrarem das aflições embaraçosas a que as suas boas intenções socialistas os delegaram. Optimista? Optimista céptica, como cantava O OUTRO.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

acerca de endividamento

Ler texto completo aqui

O que nenhum político eleito nas vagas populistas das crises lhes dirá é que todo este endividamento agravado por suas políticas mais recentes terá consequências negativas que poderão durar por décadas. Governos, empresas e consumidores excessivamente endividados terão certamente que mudar de comportamento e lidar com a realidade de que são mais pobres que imaginavam ser até recentemente. O ajustamento à esta nova realidade será provavelmente longo e manterá o crescimento econômico das economias ricas em banho-maria.

Mas as consequências não pararão aí. As economias de países emergentes como a China e o Brasil são altamente dependentes dos excessos consumistas dos governos e do setor privado nos países avançados, e consequentemente da leniência creditícia que neles ainda impera. Na medida em que o ópio do keynesianismo de gibi se esgotar, governos, empresas e consumidores nos países centrais serão forçados a apertar cintos e finalmente ajustar suas expectativas. Neste momento (que ainda não chegou) é que os efeitos mais severos dos ajustes serão sentidos nas economias emergentes.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Slaves



A society that robs an individual of the product of his effort, or enslaves him, or attempts to limit the freedom of his mind, or compels him to act against his own rational judgment-a society that sets up a conflict between its edicts and the requirements of man’s nature—is not, strictly speaking, a society, but a mob held together by institutionalized gang-rule. Such a society destroys all the values of human coexistence, has no possible justification and represents, not a source of benefits, but the deadliest threat to man’s survival. Ayn Rand

segunda-feira, 21 de junho de 2010

também sei disto

faço minhas as tuas palavras, se não te importas...

SOS

É hilariante. Estradas construídas graças a financiamento europeu passam a ser pagas; já nos acostumámos à ideia e conformamo-nos sem nos resignarmos com aqueles que multiplicam os meios de tirar vários benefícios de um mesmo bem. A melhor novidade de todas é a remoção total dos postos de SOS nas estradas até 2011. Eu sei que todos temos telemóvel mas uma emergência é uma emergência e nunca se sabe o que pode acontecer ao mais distraído ou infortunado condutor em certas e determinadas situações.

Por poucas chamadas que cheguem a partir daqueles postos telefónicos, elas chegam e se chegam quer dizer que são, por vezes a alternativa mais à mão no momento. Se realmente se trata de uma substituição geral dos referidos telefones, tal é o seu estado obsoleto, então essa substituição deveria ter sido gradual, não privando os condutores de um serviço útil, com se não estivesse mais que merecido e pago. Deve ser uma despesa de valor incomensurável...mais um factor decisivo que foi identificado e que vai fazer toda a diferença nas nossas contas.

Vou passar a andar mais devagar só para poder usufruir ao máximo do pavimento, daquele alcatrão maravilhoso. Já que se paga há que aproveitar bem enquanto dura a viagem.

7-0?

(atenção à imagem)
Hey Portugal, e a meiguice? Um pouco de compaixão pelos norte-coreanos...Não quero tentar prever onde irão libertar a frustração. Pobre Paralelo 38.
Está muito bom, sustento para os próximos dias e auto-estima para dar e vender! Não estou em mim de tanta alegria! Força Portugal awwuii

Socialistas 7 - Comunas 0

"É esta a vantagem da ambição. Podes não chegar à lua mas tiraste os pés do chão"

menos ais, menos ais, menos ais*

The Future

Não podia deixar de publicar, depois de ver o filme "I'm Your Man" a uma hora destas.

"Things are going to slide, slide in all directions
Won't be nothing...Nothing you can measure anymore"

domingo, 20 de junho de 2010

Brothers in Arms

Some day you'll return to
Your valleys and your farms
And you'll no longer burn
To be brothers in arms

Dilemas

Gosto sempre de demonstrar que também tenho sensibilidade. Aqui vai:

A idade cronológica nao condena a nossa identidade, propósitos e elos compatíveis entre indivíduos.

Só para quem entende.

Ser 1 Eu na multidão

Que estimulante exercício aquele que se prende em vislumbrar os movimentos de massas sob jugo das mais variadas formas de dominação, seja ela política, comercial, desportiva. Estimulante porque é altamente observável pelo mais distraído “analista” mortal que se predisponha a desligar-se dos alvoroços que o possam atrair a corroborar com as dinâmicas de grupo. Talvez cometa um erro grave ao partir do pressuposto de que o indivíduo não é atraído pela atracção colectivista e estaria a ignorar os exemplos de entrega à comunidade que a história documentada nos oferece. Aproveito então para corrigir: passo então a assumir que o divertimento que advém da observação diária da irracionalidade dos comportamentos de grupo é algo que respeita aqui à minha pessoa, tal sempre foi a minha enorme aversão e até imunidade às febres aglomerantes. Orgulho-me disso regularmente.

Assistimos nestes dias a um exemplo por excelência daquilo a que estou a aludir: O Mundial de Futebol 2010, ou como outros lhe chamam, A Copa do Mundo, os nossos irmãos brasileiros que são quase que uma caricatura do típico apoiante incondicional do fenómeno futebolística apesar de toda a intempérie socioeconómica ou vazio cultural que o possa varrer. Nem preciso de vir com críticas xenófobas porque tal tendências fascizante nacionalista não é meu tom. E não preciso nem teria moral para o fazer, mesmo que o quisesse, porquê? Porque estou em Portugal; um país onde se trabalha metade do ano para pagar os tributos ao feudo que retribuí mal e porcamente, porque aquilo que nos querem dar a comer à força não é o que vinha no menu, ou o cozinheiro mudou sempre para pior, ou o chefe de cozinha, autor das receias não acreditava que pudessem ser confeccionadas sem saírem queimadas ou a nossa cozinha anda numa enorme confusão e não nos deixam entrar para conhecer as condições. O mal é que neste restaurante, independentemente do que se passar, dos funcionários aos ingredientes, no fim pedem-nos a conta e ninguém sabe do livro de reclamações. Onde entra aqui o futebol? Entra na mobilização de grandes contingentes em busca dessa mercadoria fácil, engendrada pela indústria do espectáculo, no descomprimir de frustrações e inculcamentos, no extravasamento da imediata necessidade de libertar a violências e do êxtase na sensação de disputa e vitória. E nisto até eu dou comigo a cantar o “Waka Waka” da famigerada Shakira.

Friso que nada tenho contra o desporto, sobretudo se for esgrima, hipismo, ténis ou pesca onde podemos conciliar a saudável manutenção da condição física com o cultivar das tarefas individuais, bons momentos de reflexão e de estimulação da auto-estima. O meu desconforto vem mesmo da atomização que não deixa ninguém indiferente e dos auto-convencimentos que resultam na fase posterior quando o indivíduo se depara com a realidade e fica desarmado; aqui o meu sentimento chega a roçar na pena ao enfrentar a condição psicológica que pode tomar um homem nestes momentos e que o pode levar a questionar-se do seu lugar em todo este esquema. A minha aversão não vai ao desporto, não vai aos fluxos de dinheiro que daí resultam, nem na oportunidade de revelar a organização e o valor de determinado país responsável pelo evento. No futebol como em qualquer fenómeno de massas, a minha irritação é reservada aos mais ingénuos, aos indivíduos facilmente instrumentalizados e alienados, naqueles que não têm muito mais para além daquilo que conseguem demonstrar para fora dos limites do Coliseu onde se digladiam frustrações.

E este curto desabafo vem a propósito de um filme que vi na semana passada: “A Onda”, 1981. Um filme baseado em factos reais que expõem de forma clara a irracionalidade a que o mais racional ser humano se pode fazer incluir, sob jugo de uma doutrinação de ideias fáceis e militaristas de grupo. A essencial moral do filme seria a de nunca perder a noção do razoável e do imperativo da consciência individual nos momentos em que somos incrivelmente persuadidos e, acima de tudo, ter uma dimensão histórica e humildade para reconnhecer que em muitos contextos do passado faríamos parte daqueles que deixaram as coisas acontecerem.
A decisão de gozar de uma plena consciência individual parte de cada um por vontade própria. Pessoalmente prefiro acreditar na natural tendência egoísta do ser humano porque me parece mais convincente e assimilável, se bem que essa minha percepção está relativizada a mim, possivelmente por pertencer à classe dos individualistas exacerbados e sem escrúpulos. Cda um sabe de si e das suas intenções.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Ideias que regem um saudável inimigo do sionismo

este post está muito bom! Tomo a liberdade de o copiar directamente daqui e subscrevo

"Os 10 mandamentos do anti-semitismo soft

(...)

I. Nós, os 'tolerantes', achamos que todos os Estados devem agir como se estivessem rodeados pela Bélgica e Luxemburgo. Israel vive rodeado por inimigos que querem colocar os judeus na ponta do apocalipse, mas, mesmo assim, Telavive deve tratar o Hamas e o Hezbollah da mesma forma que a Suíça trata o Liechtenstein.

II. Nós, os donos da 'tolerância', decretámos que a guerra é um instrumento ilegal, logo, não podemos aceitar que um Estado tenha a distinta lata de vencer todas as guerras em que se vê envolvido. Um Estado que derrota os inimigos é o demónio em forma de soberania. Se Israel tivesse perdido as suas guerras, nós já teríamos peninha dos israelitas. Nós gostamos de coitadinhos.

III. Nós, os habitantes desse sofá preguiçoso protegido pelos americanos, também gostamos de malta com pouca pontaria. Com o intuito deliberado de matar civis inocentes, o Hamas dispara centenas de rockets contra território israelita. Mas isto não é grave, porque estes rockets nunca atingem os alvos. O que não podemos aceitar é o facto de Israel conseguir abater alvos militares nas contra-respostas. Nós não gostamos de gente com pontaria.

IV. Nós, os fazedores de OPA hostis à 'virtude', também censuramos o facto de o exército israelita não se esconder atrás de escudos humanos. A guerra tem de ser humanizada.

V. Nós, os agentes pedagógicos da Humanidade, não toleramos o orgulho patriota de Israel. Vivemos no primado da culpa ocidental, logo, não podemos dar uma nota moral positiva a um Estado ocidental (Israel) que não sente culpa pelo seu passado.

VI. Nós, os profetas da 'democracia' global e abstracta, não achamos piada à democracia concreta dos israelitas. Israel é a negação da utopia do mundo pós-Estado.

VII. Nós, os arautos da 'tolerância' multicultural, consideramos que Israel é a negação dos ventos da História. Na época em que os impérios ocidentais recuaram, os israelitas avançaram e ocuparam um espaço que pertence por direito aos muçulmanos bonzinhos.

VIII. Nós, os viúvos do marxismo e da social-democracia, não podemos tolerar que um Estado sem petróleo tenha sucesso económico numa região cheia de Estados que fracassaram apesar de possuírem reservas faraónicas do ouro negro. Israel prova que o sucesso económico é a consequência da cultura de um povo. E isso é inadmissível.

IX. (mandamento suspenso até à retirada de Obama): Israel é um compincha da América, logo, deve ser odiado. O tandem antiamericanismo/anti-semitismo é a base ideológica da nossa 'tolerância' europeia.

X. (mandamento secreto): o anti-semitismo faz parte do nosso livro de autoajuda: "quer sentir-se bem? Então, odeie Israel com toda a força. Vai ver que se sentirá virtuoso". O ódio anti-Israel é o fármaco que nos dá a sensação de superioridade moral."

por Henrique Raposo

domingo, 9 de maio de 2010

DIA DO TRABALHADOR

"Ai, olha para mim, a ler o Expresso! Não percebo nada do que está aqui escrito, mas sempre fico com estilo. Tenho é de ler na rua, para as pessoas me verem... E ainda por cima hoje, Dia do Trabalhador, 1º de Maio..."

Lá está: Dia do Trabalhador. Não é o Dia do Leitor do Expresso, mas para ti é igual ao litro. Parece que te estou a ver: refastelado aí na esplanada da pastelaria, a comer uma carcaça com manteiga e a beber um abatanado. E a ler o Expresso. Só porque é um jornal grande que se farta, para ti, só tê-lo nas mãos já é exercício. "Ai, eu faço exercício, eu faço exercício." Fazes. Praticas a viragem de páginas do Expresso, que para ti deve ser quase como fazer dança jazz durante duas horas. Ainda por cima, esta parte nem sequer está no jornal, está na revista, que é mais pequena e que não dá trabalho nenhum a pegar. Isso tem um nome: preguiçoso. Que é o que tu és. Preguiçoso ou preguiçosa, eu daqui não vejo. Mas deve ir dar ao mesmo: sejas homem ou mulher deves ter buço na mesma! Porque tratar de ti dá muito trabalho, não é?

Ainda por cima, sendo 1º de Maio, não é só buço. É buço e boné do Sumol na cabeça! A passear pela Avenida: "Ai, estou-me a manifestar, estou-me a manifestar." Pois, tu manifestas-te aí e depois, se estiver sol, manifestas-te também na Costa da Caparica! E pelo meio fazes um almoço de protesto. Comes um arroz de marisco contra o Governo!

Vai mas é trabalhar, ó! Como as pessoas. Vai fazer alguma coisa de útil pela sociedade!

Espera! Estou a ser injusto. Tu preocupas-te com os problemas dos trabalhadores. Preocupas-te pelo menos com um problema dos trabalhadores. Porque o tens. Sabes qual é? É o Dia do Trabalhador, este ano, calhar a um sábado! O ano passado é que foi bom - calhou à sexta. E quando não calha a uma sexta-feira, não faz mal. Sabem porquê? Porque para isso é que servem as greves, ora!... "Todos à greve geral, sexta-feira!" Então e se sexta-feira já for um feriado qualquer? - "Todos à greve geral, quinta-feira!"

Sim senhor!... O Dia do Trabalhador! "E o que é que eu faço no Dia do Trabalhador? Vou passear com os amigos para a Avenida!" Ui, que isso dá cá uma trabalheira!... Escuta: para chamares trabalho a isso de passear na Avenida, falta-te uma mini-saia, meu menino! Uma mini-saia e muito baton e rímel!...

Querem celebrar o Dia do Trabalhador, então vão mas é trabalhar, como as pessoas! Vão fazer alguma coisa de útil para a sociedade, em vez de estarem para aí a ocupar a estrada!... E quem quer ir trabalhar hoje, como é que passa aqui? Pelo ar? É que vocês não trabalham, nem deixam trabalhar!...

Não haver uma força policial com cães para atiçar a essa gente toda. Mas qual quê! Nem os cães trabalham! E os que trabalham fazem o quê? Cheiram droga. Isso não é trabalhar, isso é ser drogado.

Onde é que está a polícia de choque quando precisamos dela? Na volta, também andam hoje para ali pela Avenida, a passear rua abaixo, a apanhar ar, em vez de lançarem umas granadas de gás lacrimogéneo para acabar com aquela palhaçada! Vão mas é trabalhar, ó!

"Ah, eu estou aqui, na manifestação, porque estou desempregado!"

Então se estás desempregado, o que é que fazes aí, no Dia do Trabalhador? Tu, no Dia do Pai, por acaso celebras o Dia da Mãe?!...

E isso dos sindicatos é o quê, que eu nunca percebi bem? É uma espécie de uma sociedade recreativa, não é? Fazem... "actividades". Querem uma boa actividade? Cada um pega na sua vassoura e num saco de plástico, e vão apanhando as porcarias dos papéis e paus de gelado e cocós dos cães desde o Marquês até aos Restauradores!...

"Ai, eu sou professor e estou há dois anos para conseguir uma colocação decente!" E achas que é aí que vais ser colocado? Escuta: queres uma colocação decente para ti? Debaixo da terra. De olhos fechados. Mesmo que não te agrade muito, olha, sempre dás mais hipóteses aos teus colegas... Isso sim, é que é ser solidário.

E para isto da manifestação do 1º de Maio, parece que vem gente do norte ao sul do país!

Vieram manifestar-se!... Manifestar-se, e conhecer o Colombo! Uma viagem de camioneta até Lisboa, sem pagar um tostão, não haviam de manifestar-se!... Isto desde que a câmara vos empreste a camioneta, até na Parada Gay vocês desfilam! "Ai, não, não! Nós estamos aqui, unidos em defesa dos direitos da classe!"

Direito a quê? A um boné do 1º de Maio e um apito? Mas que classe é a vossa, afinal? A 4ª classe, não?! Vão mas é trabalhar, ó!... Trabalhar, não. Vão mas é estudar. Aprender. Instruírem-se. Para quando forem velhos, fazerem qualquer coisa de útil para a sociedade, ó!

Ninguém trabalha neste país. Ninguém faz nada. Há tão pouca vontade de trabalhar, que o Sócrates e o Jardim fizeram as pazes. Só para não terem a trabalheira de se chatearem um ao outro. Lá estava ele, na Madeira, todo pimpão, o Sócrates. Diz que foi lá dar um abraço. Atenção que eu disse "dar um abraço", não disse "dar aos braços"! Isso é que era bom!

E agora vem o Papa. E agora é só gente a converter-se à Igreja Católica! Porquê? Então, porque parece que dão três dias de tolerância de ponto para ver o homem! Assim, até a moça do "Exorcista" se convertia à Igreja! Essa é outra: "Ai, estou possuída pelo demónio, estou possuída pelo demónio." Onde é que ela passa o filme quase todo? Na cama! Já vi desculpas melhores para estar deitado!

Se no Dia do Trabalhador se faz tudo menos trabalhar, então isto devia era chamar-se não o Dia, mas o Mês do Trabalhador. É que este mês não se vai fazer a ponta de um corno! Com o Rock in Rio e a visita do Papa, vai ser só ouvir música e rezar, rezar e ouvir música... Isto não é um país, isto é um disco dos Enigma!

Vão mas é fazer alguma coisa de útil pela sociedade!

Olha, como o pessoal do Expresso: amanhã esta papelada toda já está a forrar um caixote do lixo qualquer!

Vão mas é trabalhar, ó!

Como as pessoas!"

Publicado na Revista Única do Expresso de 1 de Maio de 2010

segunda-feira, 5 de abril de 2010

intemporal


"Assim, se o PS não é ainda o partido único, a verdade é que diz que se a unidade se não faz à sua volta, então é ilegítima! Isto é uma monarquia “ideológica” liberal mas é ainda uma monarquia ideológica. Não é o partido único mas é o partido-mestre, intercalar entre o único e o vário, entre o socialismo e “o resto”, meio-único, mexicano ou institucional, sucedâneo do único – e também, nesta versão, afinal, intermediário ou intercessor, junto do mais único de todos os partidos, aquele que já é mais do que um partido, quando os outros ainda o não são bem, o Partido Comunista. É como uma escadaria, em suma.

Há aqui uma lógica de patrimonialismo ideológico que tem, aliás, a Constituição pelo seu lado. E porque não haveria de ser assim se a Constituição também está do lado do PS? Para um partido, ainda por cima sentimental, é indispensável que o amor com amor se pague. A Constituição, de facto, permite ao PS repousar sobre a predestinação a que ela o vota. A Constituição é, de facto, garante do poder ideológico, pelo menos garante de uma certa confessionalidade laica do Estado, tanto ou mais do que garante da liberdade. Demasiado fechada à volta de uma ideologia e de algumas organizações, a Constituição hesita demasiado entre o CR e o Povo, entre o “poder” popular e o poder eleitoral, entre os militantes socialistas e os votantes de todos os partidos. (...)

A Constituição é pois uma escritura da nova propriedade socialista do regime. (...) Numa visão mais pessimista, dir-se-ia, até, estarmos perante um esboço de “Estado Novo Socialista”, uma nova Democracia Orgânica, agora Socialista."

(Francisco LUCAS PIRES, artigo no Diário de Notícias, 10 de setembro 1980)

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Arrogantes

Só me resta o blog! Esta gentalha do bloco de esquerda que faz da liberdade bandeira é a pior farsa sobrevivente no nosso país. Incoerentes não podiam ser mais. Que eu me via impossibilitada de comentar "notícias" e artigos de opinião da esquerda.net, já estava cansada de saber por força das circunstâncias; e é um favor que me fazem porque assim não perco o meu tempo com insignificâncias.

E por falar em insignificâncias...Estava eu a queimar tempo no youtube a apreciar boas "películas" quando fui dar de caras com uma intervenção do Fernando Rosas (na espectativa de rir ou de chorar) e quando a revolta me sobe e me dá o incentivo para postar um comentário, possivelmente agressivo, vejo-me travada! Ai que eu tou tramada! Eu não queria implicar com estes "senhores" mas puxam por mim vezes demais!! Intolerável! Até no youtube se recusam a ouvir porque têm medo da exposição, lá está. Quem não deve não teme e quem tem bons argumentos não receia a contra-ofensiva.

O entendido da história, o Rosas, falava então acerca do museu Salazar, em Santa Comba Dão, e afirma que o mesmo seria entregue à "exploração política dos nostálgicos do regime anterior, mitificação ahistorica do seu chefe" e diz ainda que o museu do "ditador" seria "santuário obsuleto de peregrinação da extrema-direita".
Estes tipos adoram criar lacunas na história e em mitificação e diabolização também são especialistas.

*fica o link para quem conseguir ser tolerante ao ponto de ouvir

http://www.youtube.com/watch?v=tWFC5xxChdM&feature=related

(pena não ser possível ouvir a intervenção de Nuno Melo que se segue à deste)

Relíquias



só gente moderada...

*e gosto especialmente do fumo que envolve o mediador do debate. Vai para aqui uma permissividade. Estou a imaginar a Judite de Sousa nos frente-a-frente em 2009 a fazer pausas com um cigarro de enrolar.