History, Natural Elites, and State Elites. An Interview with Hans-Hermann Hoppe from Mises Romania on Vimeo.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Too Big to Fail

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Sindicatos: os Persuasores da Ineficiência
É inculcado na opinião dominante, de forma a torná-la subserviente e tolerante, que a luta sindical é a luta pelo emprego e que é à luta sindical que se ficam a dever as melhorias de remuneração e de consequente bem-estar geral da população, ao longo dos anos. Porém, esta versão está longe de corresponder à realidade e numa posição libertária não parece concebível pactuar com esta forma de iniciação de violência. Trata-se de uma clara intromissão na liberdade de outros indivíduos, desde o próprio empregador, ao trabalhador não sindicalizado, até ao não menos negligenciável cidadão/consumidor. Ao coagir outros trabalhadores a alinhar nas estratégias colectivistas pela quebra de compromissos contratuais, ao intimidar os colegas de profissão que insistem em trabalhar, ao forçar no sentido de uma decisão ineficiente por parte do empregador e, não menos importante, ao afectar a rotina diária dos indivíduos exteriores à reivindicação e à causa que ganha protagonismo, provocam atrasos, falhas em compromissos inadiáveis e até despesas adicionais (meios de transporte, emergências médicas, alternativas para ocupar os filhos, etc), os agitadores estão a invadir a propriedade e a constranger as liberdades de um número muito superior de indivíduos, quando comparando com o número dos potenciais beneficiários.
Para além das implicações identificáveis pelo mais elementar senso comum, a acção orquestrada dos sindicatos tem consequências mais profundas na economia que não deixam de ser bem perceptíveis a todos aqueles que se predispuserem entendê-las. Ninguém contesta, num olhar retrospectivo, que a União Soviética foi uma completo exemplo do declínio económico pela permanência numa deficiente alocação de recursos que resultou do método despótico de interacção entre agentes. O sindicalismo não entra na equação dos incentivos espontâneos pois contraria o natural declínio de indústrias e serviços inviáveis (veja-se o caso da CP, em Portugal) e, por outro lado, torna mais nebulosos os sinais a nível de preços por parte de novas empresas promissoras que ofereçam, naturalmente, salários mais elevados, como reflexo do seu valor. O efeito mais nefasto para a economia é a distorção do preço do trabalho e é deste prejuízo que derivam, mais cedo ou mais tarde, todos os outros problemas. A chantagem que pressiona por salários acima do preço de equilíbrio de mercado (recta WW') levará sempre a uma diminuição do número de trabalhadores pois o empregador já não tem vantagem em empregar trabalhadores cujo trabalho tem valor inferior ao do salário mínimo exigido pelas forças sindicais.
Estamos diante uma força colectiva que paralisa as forças voluntárias do mercado e pressiona o poder político, numa óbvia acção de rent-seeking, para almejar a regulação favorável aos seus interesses, tão egoístas quanto quaisquer outros. Está muito longe de defender um bem comum a que tanto se arroga mas contribui directamente, isso sim, para restringir a oferta de trabalho, quebrar a produtividade de dada actividade, elevar os custos de produção, limitar as possibilidades de poupança do empresário e, consequentemente, criar barreiras a novos investimentos e à expansão da indústria.
HAYEK, Friedrich, The Constitution of Liberty. The University of Chicago, 1960.
ROTHBARD, Murray, Man, Economy and State: A Treatise on Economic Principles. Ludwig von Mises Institute, Scholar’s Edition, 2004.
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
sábado, 26 de novembro de 2011
minuto verde
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
isto não é um elogio aos escandinavos
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
The Sky Is A Landfill
Moving with grace the men despise, and women have learned to lose
Throw off your shame or be a slave of the system
I see you take another drag
One more lost soul to raise your flag
The sky is a landfill
I see you take another drag
Let's see you take another drag
You like to dance to the rolling head of the adulteress
You sing in praise of suicide
We know you're useless
Like cops at the scene of crime
Throw out the stones from all the cemetery homes
For the violence of a nation gone by
Or the politics of weakness and the garbage dump of souls
That will now black the sky
Jeff Buckley
sábado, 12 de novembro de 2011
Ben Folds - Rockin' The Suburbs
Y'all don't know what it's like
Being male, middle class and white
It gets me real pissed off, it makes me wanna say
It gets me real pissed off and it makes me wanna say
It gets me real pissed off and it makes me wanna say
FUCK!
Just like Jon Bon Jovi did
I'm rockin' the suburbs
Except that he was talented
I'm rockin' the suburbs
I take the cheques and face the facts
That some producer with computers fixes all my shitty tracks
These days
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
clandestinidade

Os empenhos escondidos são os mais completos no conteúdo e longos no tempo. Sem exibir a qualidade de cada acção e o cuidado nela aplicado, entrega o melhor porque é o que quer. Não para agradar pois a acção não será vista e não por pressão porque ninguém pediu ou exigiu. É por saber que aquele empenho pertence ali e será um hiato chato optar por não o fazer. Há gosto em fazê-lo e, enquanto se faz, está a desejar-se uma qualquer repercussão sem aviso que dê satisfação à outra parte, sem que lhe seja nítida a origem. Não conseguir medir os efeitos desordenados é o impulso à contínua diligência como se o perigo de ser descoberto fosse iminente. Seja por medo ou esperança, pressente que pode ser útil ter pronta uma clara demonstração de todo o mérito que esteve encoberto por tanto tempo.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
The Sound - 'Sense Of Purpose'
What are we going to do?
While we still got the strength to move
What are we going to do?
I'm asking, I'm asking you
A call to arms, a call to use arms
A call to brains, a call to use some brains
A call to the heart, a call to have a heart
To have a sense of purpose again.
Leonard Cohen, Book of Longing
I'm not coming after you
I'm going to lie down for half an hour
This is it
I'm not going down
on your memory
I'm not rubbing my face in it anymore
I'm going to yawn
I'm going to stretch
I'm going to put a knitting needle
up my nose
and poke out my brain
I don't want to love you
for the rest of my life
I want your skin
to fall off my skin
I want my clamp
to release your clamp
I don't want to live
with this tongue hanging out
and another filthy song
in the place
of my baseball bat
This is it
I'm going to sleep now darling
Don't try to stop me
I'm going to sleep
I'll have a smooth face
and I'm going to drool
I'll be asleep
whether you love me or not
This is it
The New World Order
of wrinkles and bad breath
It's not going to be
like it was before
eating you
with my eyes closed
hoping you won't get up
and go away
It's going to be something else
Something worse
Something sillier
Something like this
only shorter
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Pouca Informação

Versão mais directa para os menos optimistas/menos cobardolas: só não vamos directos ao assunto quando bem sabemos que o que andamos a esconder vai partir tudo e a outra pessoa vai meter-se a milhas com medo das nossas intenções ou ideias. Se nos sentimos melhor a imaginar o cenário a nosso favor, a somar partes favoráveis e a ignorar as dicas incómodas deixamos de ser contidos para dar lugar a atitudes histéricas, deitando muito a perder em favor do nosso caprichoso desejo. Depois vamos voltando à posição sensata em que nos envergonhamos de ser tão parvos mas em que levamos uma valente sova de consciência.
Este Inferno Global não é para Paraísos Fiscais
Na mais recente reunião dos G20, Sarkozy esboçou a sua felicidade pelo trabalho feito e insatisfeito por aquele que ainda está por fazer. Afirmava então: “Não queremos paraísos fiscais. A mensagem é clara (…) os países que acolhem paraísos fiscais que encubram informação financeira serão banidos da comunidade internacional”. Esta empreitada planetária não é mais do que uma das muitas chantagens subtis de intromissão na soberania dos Estados, de desejo de expansão para extracção de recursos e de reforço da popularidade política. Sim, popularidade…a indiferença perante o propósito centralizador em curso é sinistra de tão distante que está da realidade. Esta afeição à tributação como dever de todo o cidadão, interdito do poder de escolher, e responsável perante a sociedade, sem questionar sequer a moralidade da coacção em si mesma recorda-me o comediante Jerry Seinfeld, a propósito de medicação: “Então, eles falam-nos do medicamento que alivia a dor. Ninguém quer algo que seja menos que extra-forte. Extra forte é o mínimo absoluto. Já nem podemos ter só forte…já está fora de moda. Algumas pessoas não se satisfazem apenas com o extra, elas querem o máximo. “- Dê-me o máximo-forte!...Dê-me a dose máxima para humanos! Descubra o que me pode matar e depois recue um bocadinho…”. Porém, a analogia pode não ser a melhor porque a tributação está longe de ser o melhor tratamento para algum problema.
Pactuar com o combate a paraísos fiscais mostra quão débil é a percepção das pessoas quanto às restrições que lhes são impostas e dos efeitos consecutivos no seu próprio nível de vida. Para alvejar desde já a acusação mais vulgarmente lançada à credibilidade e honestidade dos paraísos fiscais convêm frisar que estes países, ocupam os níveis mais positivos quanto ao controlo da corrupção e respeito pelo Estado de Direito. São dados sobejamente conhecidos mas qualquer dúvida, perante este incontornável facto, pode ser esclarecida numa rápida consulta ao Index of Economic Freedom, promovido pela Heritage Foundation ou, a uma fonte menos suspeita, do nosso ponto, numa consulta às estatísticas do Banco Mundial. Cairá por terra a fraudulenta associação de paraísos fiscais a centros de lavagem de dinheiro e corrupção. Certamente que a maioria das pessoas conhece a importância histórica que teve a Suíça como lugar seguro e sigiloso para os as poupanças dos judeus, durante a II Grande Guerra. A alusão a um exemplo tão moralmente sensível faz dele um bom ponto de contraste com os casos contemporâneos. As pessoas que se orgulham em contar esse sucesso podem de alguma forma estigmatizar os paraísos fiscais hoje? O que diriam as pessoas que aprovam a retórica contrária à competição fiscal, sabendo que estas jurisdições continuam a representar a salvação para refugiados, cidadãos arrasados por controlos de câmbio abusivos, governos totalitários, crime endémico, perseguição, étnica, religiosa, etc…? Sem dúvida, o combate a estas soluções e à privacidade tão valiosa em momentos mais críticos é um ataque directo à liberdade e dignidade dos indivíduos.
O apoio que é angariado em torno de discursos como o de Sarkozy, é fundado na mesma ideia sempre inculcada de que os indivíduos nunca serão honestos e bem-intencionados na aplicação do seu dinheiro e quanto maiores forem as quantias em causa, tenderá a crescer a iniquidade do indivíduo; mais fraco e inconsequente será o seu contributo para a sociedade. O pessimismo inveterado em relação ao indivíduo é só um lado da visão dualista dominante que se completa com a ideia de governantes serem agentes desinteressados que gerem eficientemente as receitas fiscais em conformidade com as necessidades de todos.
Quanto menores forem as possibilidades de escape, mais ilimitada será a capacidade dos governos imporem elevadas cargas fiscais sem temerem reacção dos governados. Abolir os escapes por completo, minaria a competição fiscal e o incentivo dos governos seria expandir ainda mais a extracção violenta da propriedade. O discurso favorável a essa ambição de extinguir os paraísos fiscais é, não só um meio de fazer esquecer o carácter legítimo e natural de mobilização em função das jurisdições fiscais mais baixas, mas é também um sinal de intenção em montar uma coordenada cobrança de impostos a nível global como é indiciado pela Nações Unidas, pelos propósitos harmonizadores da União Europeia e pela OCDE com as suas imposições de transparência que significam o fim do sigilo financeiro e da privacidade dos indivíduos. A lista da OCDE dos países não cooperantes em matéria fiscal é uma das mais claras agressões perpetradas pelos países que não toleram que capital e trabalho se desloquem para zonas que põe em prática uma lei fiscal mais benevolente e atractiva para investidores e empresários.
Burocracias internacionais e nações que exercem altas cargas fiscais sobre os cidadãos alegam que os paraísos fiscais são incentivos que privam os políticos de receitas valiosas para o Estado. Na verdade, acontece precisamente o inverso porque o imposto exercido revela tendência ascendente e é precisamente quando os indivíduos se sentem mais lesados pelo imposto sobre o seu trabalho que recorrem a uma jurisdição que garanta uma salvaguarda de poupanças e investimentos mais vantajosa. Logo, é pela imposição de tributação muito elevada que o Estado perde receitas pois ele mesmo incentiva à deslocação. É falso que os Estados subam impostos para compensar perdas em favor de paraísos fiscais, sacrificando uns devido a supostas aventuras de outros. Sobem impostos quando não têm um freio natural que os puna, sobem desincentivando os cidadãos a cumprir a lei e aspiram encerrá-los na total ausência de competição fiscal rumo à plena homogeneização.
Alegam também distorções no comércio mundial, de serviços e capital. As maiores distorções advêm jamais de uma saudável competição fiscal mas sim de uma alocação de recursos feita em função de interesses dominantes com capacidade de pressionar o poder político. Se os recursos estão aplicados em jurisdições com condições mais apelativas significa que mais recursos estão a ser aplicados em sectores produtivos em vez de serem arrasados nas mãos dos governos. Trata-se de uma escolha entre a eficiência, flexibilidade e prosperidade ou a burocracia, proteccionismo, assistencialismo e despesismo.
A competitividade internacional só é viabilizada, concedendo a autonomia aos indivíduos, não restringindo a competitividade fiscal inter-estadual e inter-municipal e evitando sempre penalizar a poupança. A poupança que é tantas vezes abalada por práticas comuns como a tributação dupla do mesmo fluxo de rendimentos, tanto quando falamos em dupla tributação interna (no caso das empresas, a tributação em sede de IRC dos resultados líquidos das empresas e a subsequente tributação desses resultados, em sede de IRS, quando os mesmos são distribuídos sob a forma de dividendos) ou dupla tributação internacional (taxação dupla de um mesmo fluxo de rendimentos em domicílios fiscais distintos). O proteccionismo fiscal é tão prejudicial como qualquer barreira alfandegária sobre bens e serviços. Deve ser combatido, acima de tudo, quando vem sobre a forma de proteccionismo global de tendências imperialistas como evidenciado pela OCDE. Se, porventura, algum de nós der por si a ouvir e concordar com o discurso que promete extinguir da face da terra os paraísos fiscais, lembremo-nos que isso representa compactuar com a mão de burocratas de países como a França, e a Alemanha estrangulando as jurisdições de exemplos raros como a Suíça, Singapura, Liechtenstein, Hong Kong ou Ilhas Caimão.
Publicado inicialmente no Movimento Libertário.
domingo, 30 de outubro de 2011
Invenções

segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Blue Lips - Regina Spektor
(...)
He took a step but then felt tired
He said, i'll rest a little while
But when he tried to walk again
He wasn't a child
And all the people hurried past
Real fast and no one ever smiled
Blue lips
Blue veins
Blue, the color of our planet from far, far away
He stumbled into faith and thought,
God, this is all there is
The pictures in his mind arose
And began to breathe
And no one saw and no one heard
They just followed lead
The pictures in his mind awoke
And began to breed
They started off beneath the knowledge tree
Then they chopped it down to make white picket fences
They marched along the railroad tracks
And smiled real wide for the camera lenses
They made it past the enemy lines
Just to become enslaved in the assembly lines (...)
sábado, 1 de outubro de 2011
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
comportamentos óbvios
A - Porque é que as pessoas mudam? Porque não estão satisfeitas. - Porque é que as pessoas não estão satisfeitas? Porque mudam.
B - Porque é que as pessoas exigem segurança? Porque não conhecem as suas capacidades? - Porque é que não conhecem as suas capacidades? Porque as pessoas exigem segurança.
C - Porque é que as pessoas evitam fazer escolhas? Porque não sabem do que gostam. - Porque é que não sabem do que gostam? Porque evitam fazer escolhas.
D – Porque é que perdem grandes oportunidades de exteriorizar o que pensam/sentem? Porque temem o que o futuro lhes reserva. - Porque é que as pessoas temem o que o futuro lhes reserva? Porque perdem grandes oportunidades de exteriorizar o que pensam/sentem.

informações úteis
(se acham chato e parvo ler o que penso enquanto ando de comboio, tomem a liberdade e gentileza de viajar por mim) *
Nas pequenas coisas mais estúpidas percebemos como a recusa/preguiça em entender objectivamente as capacidades e limitações das pessoas normais, e as suas necessidades imediatas, fazem permanecer em vigor criações obsoletas, absurdas e disfuncionais em toda a parte.
“Com um simples movimento de corpo pode avançar o assento para uma posição de repouso”
Há anos que leio esta frase mas não me diz nada. É um enunciado simples. O adjectivo “simples”, ali utilizado, parece-me cínico porque todos já concluímos que é complicado. Está a lembrar-me como era bom repousar. Boa sugestão….Depois, “um simples movimento de corpo”, sim, mas não especifica que "corpo"… ferramenta, arma, uma bomba!...pah, qual?…Nunca tive provas palpáveis em como estes assentos se movem verdadeiramente. Também nunca vi ninguém a usufruir desse feito heróico (movê-los). Acho que a frase está só aqui para criar a ideia de que nos desejam mesmo proporcionar conforto mas para descobrirmos se conseguem passar da teoria à prática, precisamos de ter a lata de solicitar a ajuda dos que controlam a máquina. Mas os tipos estão sempre longe…Caramba, eu nunca pensei em deitar-me enquanto ando de comboio mas agora sim. Nunca pensei que fosse possível. Custava muito não sugerirem o impossível?
E que tal apagar a frase dali? Não, claro que não será necessário…de qualquer forma, quem vai querer descobrir se resulta mesmo ou não? O mais engraçado é que se eu ousar fazer aqui um esforço e umas manobras para testar, todos vão olhar e achar que sou uma barraqueira. Mas pronto, a frase fica sempre bem…para quê tornar tudo mais operacional? Bem…para a próxima venho num serviço ferroviário em que os assentos se movam! Não há outro serviço alternativo? Ah pois…é por isso que os assentos deste comboio ainda não se movem.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Libertarianismo e belicismo: uma óbvia incompatibilidade
Murray N. Rothbard
A oposição inflexível face ao tom de inevitabilidade de combates indiscriminados, promovidos pelo Estado, é uma necessidade decorrente da coerência a preservar dentro do pensamento libertário. Os custos de uma guerra são evidentes e facilmente enumeráveis por qualquer pessoa, porém , não poucas vezes, são tolerados como males necessários, beneficiando de estatuto de excepção. Caso não estejam bem presentes na memória de todos, relembre-se que a guerra corresponde à forma mais robusta e rápida de depredação de riqueza e de ataque à estabilidade da sociedade, implicando uma ruptura desordenada das actividades económicas, desequilíbrios demográficos, incitamento à desordem social, prejuízos avultados, frustração de expectativas e de percursos de vida interrompidos. A estratégia de vitimização por parte do Estado serve de base a um oportuno sentimento de coesão entre os cidadãos, à medida que a classe dirigente fica empossada de maior legitimidade e diâmetro de ingerência nas liberdades individuais.
Perante as seduções que partem sempre do mesmo orador, pouco confiável - o Estado – o cepticismo deve ser uma constante, tendo em conta que a guerra constitui a expressão máxima da violência estatal ao aliar a manutenção de acções intencionais de agressão, por meio do monopólio da força, com o financiamento insaciado que parte das receitas fiscais. O Estado, inerentemente agressivo, consegue realizar a lamentável proeza de direccionar recursos originários de cidadãos oponentes do belicismo para agredir estrangeiros inocente, decidindo onde, como, porquê e com que magnitude empreende essa intervenção. Vislumbra-se, assim, a total oposição aos princípios defendidos por Rothbard no que toca a auto-defesa fundamentada na proporcionalidade da punição daquele que atenta contra as nossas liberdades, privando-se também, ele próprio, da sua liberdade na mesma proporção em que nos agride. A forma operacionalizada de enunciação de danos colaterais revela a mais rude indiferença, e o direccionar da violência somente aos criminosos e na dose exacta que é merecida, poupando a vida de terceiros, alheios aos conflitos, é algo pouco ou nada exequível, tanto porque o Estado não tem qualquer preocupação em ser selectivo nos seus alvos, como porque não o consegue fazer, dado o impacto implacável do seu apetrechamento militar. Todos estes aspectos são ignorados se estiver generalizado o dualismo necessário para suportar a guerra, numa consideração bastante linear e simplista das partes envolvidas, que descamba em efectivo colectivismo de oposição entre nações…uma conveniente abstracção e assimilação do “medo”, da “ameaça” e duma consequente “necessidade”. Contrariamente às forças que interagem espontaneamente, o Estado distingue-se por concentrar-se em falsas necessidades e forçar os tributados a financiar as suas ruínas ad eternum. Distancia-se dos indivíduos, consegue baixar o nível de exigência e consegue encobrir o despesismo e a crescente desconexão entre interesses dos governados e acção governamental, nomeadamente com enunciados que se reduzem a simples chantagem securitária. Como Hans-Hermann Hoppe enunciou, de forma inequívoca e acertiva: Rather than dynastic property disputes which could be resolved through conquest and occupation, democratic wars became ideological battles: clashes of civilizations, which could only be resolved through cultural, linguistic, or religious domination, subjugation and, if necessary, extermination. It became increasingly difficult for members of the public to extricate themselves from personal involvement in war.
Nas guerras contemporâneas, mais do que nunca, é perceptível a ausência de ponderação da utilidade dos sacrifícios de guerra, cada vez mais numerosos e incutidos nas necessidades e despesas nacionais. A própria noção de guerra preventiva reflecte a despreocupação em verificar sinais claros de iniciação de uma agressão que ameace a liberdade e propriedade de alguém. Posto isto, poucas são as barreiras às ambições expansionistas dos Estados, como é símbolo máximo disso, a presunção messiânica norte-americana que se reanima na recuperação do ideal wilsoniano, tão raras vezes dirigido a ameaças directas, respeitantes aos EUA.
Se uma pessoa, a título individual, por sua conta e responsabilidade, decide arriscar-se em infligir uma vingança em alguém por meio de violência, (independentemente de se justificar ou não, neste caso) é evidente que todos os prejuízos que possam decorrer de uma contenda, recaem sobre ela mesma, no seu corpo, em possíveis danos materiais, despesas com a saúde, etc. Se é racional atentar ao próprio bem-estar e envolver-se num conflito evitável, é uma questão que recebe resposta subjectiva, já que depende somente de propósitos e valores pessoais. Se transpusermos uma semelhante situação para a esfera do Estado, percebemos que há uma entidade bem fortalecida, de responsabilidade de curto prazo, que anda a enfrentar perigos e multiplicar inimigos, instrumentalizando o corpo e a riqueza dos seus cidadãos. Quanto maior e mais centralizado conseguir ser o Estado, mais recursos tem à sua disposição e melhor os maneja, fora do alcance das apreciações e fiscalizações dos indivíduos. O fomento da guerra é a revitalização da natureza do Estado. Num Estado vasto, diminui o horizonte de tréguas porque é mais remoto o limite em que se esgotam as receitas destinadas à defesa e mais estranha a noção de justiça. Prolongar-se-á a agressão pela agressão, a tributação como agressão e a agressão graças à tributação.
War is never economically beneficial except fot those in position to profit from war expenditures.
Ron Paul
Compactuar com estes desproporcionais conflitos implica contornar as liberdades civis, os princípios basilares como o da preservação da vida, o direito à posse e defesa da propriedade privada, a igualdade perante a lei, a não agressão, a tolerância (não interferindo com a conduta de terceiros, independentemente de a aprovarmos ou não) e o favorecimento da paz como ambiente favorável a saudáveis interacções entre os indivíduos, na base do respeito mútuo e reciprocidade.
O vergar no sentido da desumanização está intimamente ligado à aceitação e defesa da escravidão militar, da escravidão fiscal, do colectivismo militar, da imoralidade associada ao assassinato em massa de inocentes e à tolerância perante tentativas de imposição de um modelo de governação igualmente tirano, semelhante aos que pretende remover. Resumindo, entregar a liberdade e a riqueza acumulada à máquina de guerra sem questionar intenções e efeitos que, se assumidos por conta própria, nos pesariam continuamente na consciência é ser vencido pela retórica irracional de guerra, pela arbitrariedades do Estado na provisão de protecção e moralização, e acima de tudo, é esquecer a diferença entre agressão e defesa – ponto de partida de todos os excessos e violações de direitos na matéria em causa.
A solução passa por rejeitar os pesados “cavalos de Tróia” que nos consomem as provisões em aplicações violentas e nos forçam a invadir e “incendiar” comunidades alheias. A resolução de qualquer conflito passa pela resolução próxima das partes envolvidas, numa lógica de compensação equiparada aos danos, rápida e satisfatória, flexível ao sentido de justiça da parte afectada e, sempre que possível, assente na capacidade de auto-defesa, livre de intermediações burocráticas que ampliam os prejuízos de parte a parte.
It is a wonder, then, that many who favor liberty, spontaneous order, voluntary human action, free trade and markets, and as little government as humanly and practically possible, do not see the full force of both the ethical and practical arguments against an interventionist foreign policy.
Anthony Gregory
GREGORY, Anthony, The Effects of War on Liberty, 2007.
HOPPE, Hans-Hermann, Reflections on State and War, 2006.
PAUL, Ron, The Crime of Conscription, 2003.
ROTHBARD, Murray N., War, Peace, and the State, 1963.
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
A leftist who thinks the government is protecting him from high ATM fees, low wages, or dirty drinking water tends to feel indebted to the state and willing to take its side over liberty and the free market. A conservative who thinks the government is locking up hooligans and keeping undesirables out of society will likewise side with power over freedom in all too many cases. And anyone who believes that the government is the only barrier standing between the American Dream and the fall of civilization into the hands of fanatics, determined to convert us all to their religion and behead those of us who resist, will predictably give the government far more leeway than it deserves.
Anthony Gregory
Hans-Hermann Hoppe, Reflections On State and War
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Não costumo fazer descrições da rotina, porém contudo…
Queixo-me de andar muito de comboio, é verdade. Pensando bem, acho que afinal, nunca estou fora do “comboio”.

